Mensagem

FILHOS E DEVOLUÇÃO: TODA MÃE UM DIA PENSOU EM DEVOLVER.
RELATO DE UMA MÃE IGUAL A TODAS AS OUTRAS.

Meu parto foi doloroso. Minha gestação também. Obviamente eu sofreria de Depressão pós parto!
Comecei a pensar em adoção em 2014.
Dei entrada no processo em 7 de agosto de 2015. Daí começaram as entrevistas, idas ao fórum, cursos.. (eram os treinos pra engravidar).
Em 19 de janeiro de 2016 fomos habilitados. Eu estava grávida!
Em março quase que meu bebê nasce. Mas os psicólogos não o liberaram pra adoção por ter acabado de passar por uma devolução após um ano em uma família. Saiu da busca ativa e voltou pra lista negra: aquela de crianças inadotáveis.
Em maio foi colocado novamente na busca ativa e eu senti meu coração gelar. Era ele novamente? E era mesmo.
Mas ainda não seria possível conhece-lo. Estava se desintoxicando da família anterior. Três meses depois, em 28 de agosto, agendamos a cesariana com a psicóloga dele. Foi quando ela nos conheceu e deu parecer favorável a aproximação. E em 5 de setembro de 2016 foi realizada a cesariana e enfim nosso filho nasceu para nós. Com 8 anos, pesando 23 quilos e com 1,29m. Com um olhar vazio e sofrido. A pele desbotada e cheia de marcas de sofrimento. Era visível o vazio q existia dentro dele. O olhar de dúvida. Mas já me chamava de mãe. ❤
Em 23 de Setembro tivemos alta e pudemos trazê-lo pra casa. E então começou minha depressão pós parto. Durou uns 5 meses. Mas passou.
Ah, a devolução! Quem que adotou não pensou em desistir.
Ontem estava conversando com meu marido sobre o nosso bebê e ele estava me cobrando das expectativas dos dois para o dia das mães. Percebi q ele estava emocionado. Então perguntei se ele amava o menino. E ele confirmou e chorou.
Pensei: nossa! Nem parece que pensamos em devolver essa criança.
Pensei em todos os desafios a tivemos. Em todas as angústias q vivemos em todas as noites q passei em claro e o quanto eu chorei.
Chorei por que não conseguia me adaptar, chorei por que não aceitava um intruso na minha família, me testando todos os dias e querendo roubar a minha paz, chorei por que não aceitava dividir meu espaço com ele, chorei por que ele não era a criança que eu idealizei. E chorei quando pensei que iríamos ter que devolvê-lo. Não queria ser protagonista de uma história de devolução. Ah, como eu chorei!
Pensava no mal q eu faria a essa criança, pensava q nunca mais eu teria a oportunidade de ser mãe.
Então, naquela noite, eu conversei com Deus. Já havíamos combinado, eu e Ele, que ele nos enviaria a criança certa, o nosso filho, e então Ele nos fazia desistir.
Foi então que Ele sussurrou no meu ouvido: Não sou eu q estou fazendo você desistir, é você. Eu te enviei o filho certo, o aceite como é e aprenda com ele.
E então eu desisti de devolvê-lo. Por que Deus, que sempre esteve comigo, não me mandaria um filho errado.
E foram muitos desafios. Demorei pra ama-lo. E confesso q ainda não sou louca por Ele, mas estou quase lá.
Penso nele 24 horas por dia. Quero cuidar, quero o melhor pra ele.
E hoje eu choro escrevendo isso, mas desta vez é de agradecimento. Agradeço a Deus por ter falado comigo aquela noite e ter-me feito desistir da devolução.
Meu filho amado, meu filho querido.
Um dia, conversando com uma amiga, contando dos desafios, ela me disse: você não quer q o menino, que viveu 8 anos no abandono, cure todas as feridas em 4 meses, né? Seu filho não sabe o que é o amor, ele não conhece o amor, não será em alguns meses que ele vai aprender. Ele precisa de tempo. Você tem q ensiná-lo. Você tem q mostrar a ele o que é o amor.
Hoje estamos aqui, contando nossa história, falando do nosso amor e lutando pra dar conta das lições de casa.