Depoimento

"Adotar uma criança é, sem dúvida, uma grande emoção. Adotar uma criança maior é ter essa emoção elevada à nona potência, pois uma criança que já se reconhece como indivíduo você precisa conquistar, ao mesmo tempo em que se permite ser por ela conquistado. Nessa dança afetiva, vamos aos poucos acertando o ritmo e o passo, em um aprendizado intenso, contínuo, revigorante. Ao longo dos últimos cinco anos, meu filho e eu temos colecionado momentos inesquecíveis e conquistas de grande significado; poucas, contudo, como esta que agora lhes relato. Após quatro anos e três meses de terapia, meu filho teve alta, por estar completamente adaptado e feliz em sua nova vida. Adotado aos seis anos de idade, pesando apenas 15 Kg, meu menino era tão frágil que eu tinha medo de machucá-lo, se abraçasse muito forte. Vítima de maus tratos, de abandono emocional, de negligência, com o corpo cheio de cicatrizes e a alma ainda mais, ele mal conseguia falar três frases completas, pois lhe faltava vocabulário (tinha o vocabulário de uma criança de 04 anos); não conhecia as cores, nenhum número, nenhuma letra do alfabeto. Tímido, inseguro e com baixa autoestima, vivia assombrado pelo medo de ser abandonado. Eu o coloquei em terapia pouco depois de sua chegada. Durante quatro anos, a psicóloga em consultório e eu, em casa, trabalhamos seus medos, suas memórias, algumas "tão ruins que chegam a arrepiar só de pensar", como ele disse, certa vez. Suas vivências foram resignificadas e todos os seus traumas, superados. Aqui está meu filho hoje. Caminhando para os 11 anos de idade, é um filho maravilhoso! Amoroso, tranquilo, bem humorado, traz a alma pacificada na certeza do AMOR. Bom aluno, bom amigo, um irmão carinhoso, Matheus é recebido com alegria em todos os lugares e elogiado por sua boa educação e serenidade. Inteligente, nunca perdeu um ano na escola e evoluiu de forma quase inacreditável. É considerado por seus professores como um exemplo de superação. É valente, o meu menino. Enfrentou desafios e barreiras que fariam muito marmanjo tremer e desistir. E venceu. É meu amigo, meu companheiro de viagens, meu parceiro mais leal. Tem orgulho de ser filho adotivo, e diz que no futuro com certeza vai adotar uma ou mais crianças. Diz que considera as pessoas que divulgam e trabalham pela adoção, verdadeiros super- heróis. Mas super-herói de verdade é você, meu filho, por quem tenho um amor que jamais pensaria existir e de quem tenho um imenso orgulho. É a prova viva de todas as maravilhas que o AMOR faz na vida da gente. Que Deus o abençoe sempre."

Shirley Machado

Mensagem

FILHOS E DEVOLUÇÃO: TODA MÃE UM DIA PENSOU EM DEVOLVER.
RELATO DE UMA MÃE IGUAL A TODAS AS OUTRAS.

Meu parto foi doloroso. Minha gestação também. Obviamente eu sofreria de Depressão pós parto!
Comecei a pensar em adoção em 2014.
Dei entrada no processo em 7 de agosto de 2015. Daí começaram as entrevistas, idas ao fórum, cursos.. (eram os treinos pra engravidar).
Em 19 de janeiro de 2016 fomos habilitados. Eu estava grávida!
Em março quase que meu bebê nasce. Mas os psicólogos não o liberaram pra adoção por ter acabado de passar por uma devolução após um ano em uma família. Saiu da busca ativa e voltou pra lista negra: aquela de crianças inadotáveis.
Em maio foi colocado novamente na busca ativa e eu senti meu coração gelar. Era ele novamente? E era mesmo.
Mas ainda não seria possível conhece-lo. Estava se desintoxicando da família anterior. Três meses depois, em 28 de agosto, agendamos a cesariana com a psicóloga dele. Foi quando ela nos conheceu e deu parecer favorável a aproximação. E em 5 de setembro de 2016 foi realizada a cesariana e enfim nosso filho nasceu para nós. Com 8 anos, pesando 23 quilos e com 1,29m. Com um olhar vazio e sofrido. A pele desbotada e cheia de marcas de sofrimento. Era visível o vazio q existia dentro dele. O olhar de dúvida. Mas já me chamava de mãe. ❤
Em 23 de Setembro tivemos alta e pudemos trazê-lo pra casa. E então começou minha depressão pós parto. Durou uns 5 meses. Mas passou.
Ah, a devolução! Quem que adotou não pensou em desistir.
Ontem estava conversando com meu marido sobre o nosso bebê e ele estava me cobrando das expectativas dos dois para o dia das mães. Percebi q ele estava emocionado. Então perguntei se ele amava o menino. E ele confirmou e chorou.
Pensei: nossa! Nem parece que pensamos em devolver essa criança.
Pensei em todos os desafios a tivemos. Em todas as angústias q vivemos em todas as noites q passei em claro e o quanto eu chorei.
Chorei por que não conseguia me adaptar, chorei por que não aceitava um intruso na minha família, me testando todos os dias e querendo roubar a minha paz, chorei por que não aceitava dividir meu espaço com ele, chorei por que ele não era a criança que eu idealizei. E chorei quando pensei que iríamos ter que devolvê-lo. Não queria ser protagonista de uma história de devolução. Ah, como eu chorei!
Pensava no mal q eu faria a essa criança, pensava q nunca mais eu teria a oportunidade de ser mãe.
Então, naquela noite, eu conversei com Deus. Já havíamos combinado, eu e Ele, que ele nos enviaria a criança certa, o nosso filho, e então Ele nos fazia desistir.
Foi então que Ele sussurrou no meu ouvido: Não sou eu q estou fazendo você desistir, é você. Eu te enviei o filho certo, o aceite como é e aprenda com ele.
E então eu desisti de devolvê-lo. Por que Deus, que sempre esteve comigo, não me mandaria um filho errado.
E foram muitos desafios. Demorei pra ama-lo. E confesso q ainda não sou louca por Ele, mas estou quase lá.
Penso nele 24 horas por dia. Quero cuidar, quero o melhor pra ele.
E hoje eu choro escrevendo isso, mas desta vez é de agradecimento. Agradeço a Deus por ter falado comigo aquela noite e ter-me feito desistir da devolução.
Meu filho amado, meu filho querido.
Um dia, conversando com uma amiga, contando dos desafios, ela me disse: você não quer q o menino, que viveu 8 anos no abandono, cure todas as feridas em 4 meses, né? Seu filho não sabe o que é o amor, ele não conhece o amor, não será em alguns meses que ele vai aprender. Ele precisa de tempo. Você tem q ensiná-lo. Você tem q mostrar a ele o que é o amor.
Hoje estamos aqui, contando nossa história, falando do nosso amor e lutando pra dar conta das lições de casa.

Ela viveu 9 anos em abrigos e, aos 17, enfrenta o desafio da independência

Aos 8 anos, Verônica* viveu, junto ao irmão mais novo, situações que colocaram à prova a resistência ainda prematura das crianças. Ela e o irmão foram retirados da guarda dos pais pela Justiça, que precisou intervir. E lá se vão 9 anos. Agora, ela tem 17, conseguiu emancipação na Justiça e dá o primeiro passo na caminhada para a vida adulta: monta a primeira ‘casa’, uma quitinete, sozinha.
Quem acompanhou os anos de resistência e amadurecimento de Verônica é a juíza Katy Braun, titular da Vara de Infância, Juventude e Idoso do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). As duas – Verônica mais do que Katy – emocionam-se ao lembrar dos percursos e pensar no futuro, que começa a ser construído. A juíza divulgou uma campanha pedindo auxílio financeiro no Facebook, para que a adolescente mobiliasse a nova moradia.
http://www.midiamax.com.br/cotidiano/morar-sozinha-comeco-emancipacao-adolescente-viveu-abrigos-340672
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ANTES MADRINHAS, AGORA MÃES - Por Tays e Lúcia

Nos conhecemos em Porto Alegre mesmo, começamos a namorar e três anos  depois casamos no civil. Nossos planos sempre foram de após uns dois anos casadas fazer fertilização pois ambas tinham vontade de ser mães. 
Alguns meses após nosso casamento, estávamos navegando na internet e nos deparamos com o programa de "apadrinhamento afetivo". Lemos bastante sobre o assunto e decidimos nos inscrever no programa, já que não pretendíamos ser mães logo. Passamos por um mês de reuniões e entrevistas, fizemos um portfólio nosso nos apresentando e uma criança com a ajuda dos técnicos  nos escolheria como madrinhas. Dia 24 de agosto de 2016 soubemos que nosso afilhado se chamava Samuel, que tinha 8 anos e nos mandou uma foto dele e duas cartinhas. Na hora nos arrepiamos todas... e voltamos para casa muito ansiosas para conhecê-lo.
Na semana seguinte fomos no abrigo conhecê-lo. Quando nos aproximamos da casa avistamos ele grudado no portão esperando. Nos avistou e entrou correndo pra  casa com vergonha. Passamos uma hora com ele, ele bem tímido respondia apenas o que perguntavamos. Soubemos nesse dia que na semana seguinte ele faria uma cirurgia, adenoides e tiraria as amígdalas. Fomos no hospital ver ele mas no dia seguinte retornaria ao abrigo e ficaria 15 dias de repouso sem ir na escola. Pensamos na hora que nós adultas quando ficamos doentes ja ficamos mais carentes,  o que dirá uma criança sem poder ter um colo só pra ela... então íamos direto nesses 15 dias ao abrigo cuidar do Samuel como podíamos.  Levamos iogurtes,  flans, o que fosse pastoso que ele pudesse comer. 
    Nossa intenção como madrinhas era inicialmente ver o ou a afilhada a cada final de semana ou 15 dias... mal sabíamos que após esses dias "intensivos" cuidando dele não conseguíamos mais ficar muito tempo longe. Íamos ao abrigo umas 4 vezes na semana. Iamos ver ele na ginástica também. 
    Em novembro teve audiência concentrada e a juíza assinou o documento do apadrinhamento e pudemos começar a pegar o Samuel para passar os finais de semanas na nossa casa. No segundo final de semana que levamos ele pro abrigo de volta, sentimos um vazio quando voltamos pra casa... como se faltasse algo em nosso lar... nos demos conta que estava difícil ficarmos longe do Samuel... Após muita conversa decidimos entrar com pedido de adoção mas lógico, antes perguntando se também seria a vontade dele ser nosso filho. 

    Entramos com o pedido em dezembro de 2016. Passamos boa parte das férias dele juntos, viajamos, fizemos inúmeras coisas que só fortaleceu nosso vínculo de mães de filho. E em 07/04/2017 recebemos nosso maior presente... a noticia que na audiência de destituição do Samuel no dia 04/04 o juiz assinou o documento nos dando a guarda provisória dele Nossos planos antes de conhecer o Samuel jamais  foi de adotar uma criança e sim termos um filho biológico, mas esse amor por ele foi crescendo de tal forma que nem pensamos mais em fertilização pois esse amor incondicional que temos por ele preencheu 100% nossos desejos de sermos mães..Enfim, nossa família agora está completa!

Homenagem

Quero fazer uma homenagem especial...
Será que é para Mães?
Claro que sim!
Mas para as mães que estão na espera.
Sim... elas já são mães estão na gestação do coração.
Seus filhos já podem ter nascido e estão esperando tbem pelo grande momento do ENCONTRO.
O encontro com o amor, com o carinho, com a família, com a VIDA.
Mães que não conseguem ver seus filhos pelos exames de ultrassom, mas que sentem o frio na barriga a cada toque do telefone, esperando que seja a ligação para irem buscar seus filhos.
Mães que passam ela angustia de estarem a mercê da burocracia, da espera para que seus processos avançam,mães que fazem visitas mensais ou até mesmo semanais, não ao médico obstetra mas a fórum com as técnicas da vara de infância.
Mães que buscam os grupos de apoio para compartilharem suas histórias que as vezes são cheias de frustrações pelo "método" de concepção tradicional ou os tratamentos de fertilização não terem dado certo.
Mas além de tudo MÃES que querem, desejam e aguardam seus filhos com a certeza que mais cedo ou mais tarde chegarão.
Esse dia das mães pode ser o último que passam sem seus filhos. Torcemos para que no próximo seja cheio de cartõezinhos com mãozinhas e dedinho pintados, presentinhos feitos na escola, beijinhos com cheirinho de leite e com os corações completos e transbordando amor.
FELIZ DIA DAS MÃES A TODAS NÓS!
Raquel Bianchin

Família é prato difícil de preparar" (de "O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.


"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"

Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

8 motivos pelos quais os pais são os culpados dos filhos virarem delinquentes

1- Pai que dá ao filho tudo que ele pede:
A criança crescerá pensando que tem direito a tudo que desejar.
2- Pai que ri quando o filho fala palavrões:
A criança crescerá pensando que o desrespeito é  normal e engraçado.
3- Pai que não repreende por mal comportamento:
A criança crescerá pensando que não existem regras na sociedade.
4- Pai que limpa a bagunça do filho:
A criança crescerá pensando que os outros podem assumir suas responsabilidades.
5- País que deixam de assistir TV  porque o filho grita quando tira do desenho:
Crescerá pensando que não há diferenças entre adulto e criança.
6- Pais que deixam que os filhos ouçam músicas que vulgarizam a mulher, estimulem sexo sem compromisso e a violência com o diferente:
Precisa nem dizer o que vai resultar né?…
7- País que dão aos filhos dinheiro a hora que querem:
Crescerão pensando que dinheiro é  fácil e não exitarão em pegar quando não conseguirem.
8- País que se colocam sempre a favor do filho, independente de estar certo ou errado:
Crescerá acreditando que os outros o perseguem quando for contrariado.
PORTANTO:
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
Provérbios 22:06