8 coisas que pais adotivos jamais devem fazer

Sou mãe de duas crianças incríveis nascidas na China. Adotamos Sophie quando ela tinha 5 anos - agora ela tem 17. Simon tinha 4 quando o adotamos; hoje ele está com 14. Baseada na minha experiência, eis oito coisas que pais adotivos jamais devem fazer.
1. Contar a história do seu filho para todo mundo.
As circunstâncias que levaram seu filho a ser adotado são parte da história dele. A história não é sua e, portanto, você nada mais é que a fofoqueira da cidade se sair falando do assunto para qualquer um que perguntar. Vivemos em uma cultura que incentiva o compartilhamento, mas não é da conta de ninguém se a mãe de sua filha era uma adolescente de 16 anos que largou o bebê num restaurante de hotel frequentado por americanos para que ele fosse encontrado e levado para os Estados Unidos.
Assumo a culpa por ter falado demais. Uma das coisas que compartilhei além da conta foi a história dos meus filhos. O fiz com a mais nobre das intenções: passei anos desfilando meus filhos com a esperança de que outras pessoas também adotassem. Estava errada, por mais honrada que fosse minha missão. Me emendei. Hoje em dia, você pode conhecer meus filhos, ver o quão incríveis eles são. Mas, se eu sentir curiosidade da sua parte, corto logo de cara. Vou me gabar das conquistas deles. Mas as histórias? São deles, e confio no julgamento dos meus filhos para decidir se elas serão compartilhadas, e com quem.
2. Negar que você é egoísta ou fingir ser abnegada.
Odeio pessoas que dizem "Deus abençoe" para mim quando veem nossa família. O que elas querem dizer, na realidade, é que eu devo ser alguma alma bondosa que resgatou esses dois pobres órfãos. Esse tipo de pensamento é ofensivo - e completamente equivocado.
Para começar, adotei meus filhos porque queria uma família, e a adoção internacional era a única alternativa possível para mim. Não foi um ato de abnegação que me levou a ser mãe; te garanto que agi somente em interesse próprio. Em segundo lugar, não resgatei ninguém. Na verdade, como dizem muitas mães adotivas, nós é que fomos salvas, não o contrário.
3. Agir como se eles não tivessem tido pais antes de você.
Meus filhos nasceram de outras pessoas. É natural que eles queiram saber quem são seus pais naturais, onde eles moram, porque decidiram doá-los. É um buraco negro no coração de toda criança adotada que precisa ser preenchido com a luz do sol. Não sinto inveja nem raiva quando minha filha acende uma vela no bolo de aniversário para lembrar da mãe biológica. Não enlouqueço quando ela escreve um bilhete para a mãe e o guarda numa caixa secreta. Digo para meus dois filhos o que eu realmente sei sobre suas famílias, o que não é muito, infelizmente. Não especulo nem conto mentiras só para que eles se sintam melhor. E, se meus filhos decidirem se juntar aos milhares de outros chineses adotados que estão começando a buscar suas famílias biológicas, darei todo apoio.
Sou plenamente ciente de que, para que eu tivesse a minha família, duas mulheres do outro lado do mundo sofreram uma perda terrível. Não consigo imaginar a dor delas. Não sei o que lhes diria. Mas não vou ignorar sua existência.
4. Esperar gratidão ou apreciação por tê-los adotado.
Você pode esperar que uma criança adotada aprecie tudo o que você faz por ela, incluindo o rodízio para levá-la à escola e as incontáveis apresentações de dança que você teve de aturar - e o mesmo vale para um filho biológico. Mas você não pode nem deve esperar que eles sintam gratidão por terem sido adotados. Eles foram uma parte da transação sem direito a voz. Foram os bens negociados. Nunca puderam dar opinião sobre o que estava acontecendo com eles ou sobre o que seria seu futuro.
Sei que minhas crianças se perguntam como teriam sido suas vidas se elas não tivessem sido adotadas. Eu também penso nisso. De maneira geral, sei que eles estariam bem, pois ambos são sobreviventes. A adoção, para eles, foi uma troca. Ter a oportunidade de ter uma família significou abrir mão da cultura, da língua e de tudo o que era familiar para eles - comida, rostos, amigos --, literalmente da noite para o dia. A gratidão é uma faca de dois gumes.
5. Dizer que você "nasceu" para ser pai ou mãe de seu filho adotivo.
Muitos pais e mães adotivos procuram ligações com a criança que adotaram. Entendo essa necessidade. O que não entendo é o desprezo pelos pais biológicos das crianças. Se você "nasceu" para ser mãe da criança, porque outra mulher a deu à luz? Será que foi um plano perverso de Deus causar sofrimento a uma mulher da Guatemala, da Coreia ou do Kansas só para que você pudesse ser feliz?
Acredito que há maneiras de demonstrar o quanto amamos nossos filhos. Digo aos meus o tempo todo que eles são a luz da minha vida, que sou honrada de ser mãe deles, que os amo mais do que minha própria vida. Mas passo longe do sobrenatural ou da intervenção divina. O que nos uniu foi um burocrata chinês casando dossiês de pais com papeis de órfãos. Nada mágico.
6. Tratar mal os idiotas.
Tenho pavio curto e, como escritora, disponho de um enorme arsenal de palavras. É sempre tentador ser grossa com os idiotas que fazem perguntas pessoais sobre seus filhos. Mas, antes de adverti-lo a não fazer esse tipo de coisa, permita-me pedir desculpas à mulher no supermercado que, em 2004, viu minha filha chinesa sentada no meu carrinho e me perguntou se o pai dela era asiático. Minha resposta: "Não sei, não reparei direito na cara dele, se é que você me entende (piscadinha)". Bom, é claro que ela saiu andando.
Me arrependo de ter me comportado assim. Me arrependo por uma única razão: milha filha viu tudo. Apesar de ela não ter entendido o sarcasmo, ela pegou o tom. A vida é curta demais para responder a idiotas.
Quem adota crianças que não se parecem consigo sempre vão ouvir perguntas. Algumas são difíceis de engolir. "Quanto ele custou?" "Por que você não adotou uma criança americana?" "Ela fala asiático?" (Por onde começar a responder uma dessas?)
Você não deve explicações a ninguém. Aprendi a lição e a ensinei aos meus filhos: a história é deles. Eles podem falar o quanto quiserem, mas não têm obrigação de responder para ninguém, mesmo que seja um adulto ou um professor quem estiver perguntando. Sim, professores são os piores na hora de invadir privacidade.
Meus filhos e eu agora respondemos as perguntas com outras perguntas. "Por que você quer saber?" geralmente serve para acabar com a conversa. Ou então explicamos que não queremos falar do assunto. "Considero sua pergunta muito pessoal." Dá vontade de gravar a reação de um adulto quando ele ouve isso de uma criança de cinco anos. É muito engraçado.
Mas a regra de não ser grossa com idiotas tem uma exceção. Essa não pode passar em branco: "Por que você não adotou uma criança americana? Muitas crianças americanas precisam de uma casa".
É uma pergunta que costuma ser feita por ignorantes. Crianças americanas são adotadas o tempo todo logo depois do nascimento. Crianças americanas mais velhas às vezes entram no sistema de assistência social - um processo considerado frustrante por muitas famílias que querem adotar. Mas, mais importante, a pessoa que fez a pergunta não tem nenhum interesse em informações sobre adoção e provavelmente está só acenando com uma bandeira patriótica na sua cara.
7. Pensar em seu filho como um filho adotivo.
Ele é seu filho. Ponto. Toda criança, não importa de onde tenha vindo, é parte da sua família. Filhos adotivos não deveriam ter esse adjetivo. Alguns podem ter problemas ligados ao fato de que foram adotados, mas a maioria, não. É melhor para todo mundo se você parar de achar que qualquer problema de desenvolvimento tem a ver com a adoção. Crianças hiperativas, adolescentes rebeldes, filhos com dificuldades para ler - nem tudo está relacionado à adoção e tudo vai ficar mais fácil se você aceitar isso.
8. Achar que dá para devolver um filho adotado.
Criar filhos - biológicos ou adotados - é o trabalho mais difícil da sua vida. Quando você dá à luz seu filho, a ideia é que você vai amá-lo e lidar com qualquer problema de saúde ou de desenvolvimento que ele venha a ter.
A ideia deveria ser a mesma nas famílias que adotam. Mas existem uma coisa chamada ruptura na adoção que me deixa nauseada. É quando uma família adota uma criança mas não dá conta dela - e aí tenta encontrar caminhos (geralmente online) para passá-la para outra família.
A Reuters publicou uma reportagem a respeito um ano atrás. Muito do problema está relacionado à falta de apoio para as famílias, que claramente não estão preparadas para as crianças. Também culpo as agências de adoção por não fazerem uma seleção mais rigorosa dos que se candidatam a adotar.
Mas o que me aterroriza é a ideia de que pais anunciem seus filhos indesejados na internet e driblem o governo para passá-los para outras famílias. Que tipo de dano acontece quando uma criança passa de casa em casa?
A adoção é só um meio para trazer uma criança para sua família. Não conheço classificados online para crianças biológicas, então como é possível que eles existam para crianças adotadas?

Muitas partes do processo de adoção não se parecem em nada com dar à luz uma criança. Mas uma coisa deveria ser idêntica: nossos filhos são nossos filhos para sempre.
Fonte: http://www.huffpostbrasil.com/

Crianças adotadas: saiba qual o momento certo de contar

A primeira pergunta que deve ser respondida é: A criança precisa saber que é adotada? Sim. Guardar em segredo o ato a adoção não é nada saudável para a família. Quando existe esse segredo, o assunto se torna um tabu e o sentimento de inquietação – e até mesmo inadequação – se instala nas crianças adotadas.
Crianças adotadas: o dilema de contar
Adotar uma criança é uma demonstração de amor. É por isso que esse ato deve ser tratado com total responsabilidade e ser muito bem planejado.Em algum momento da vida, os pais adotivos irão se deparar com o grande dilema de contar ou não para o filho que ele é adotado. O ideal é que a adoção não seja um segredo e, muito menos, um tabu em casa, para que isso não atrapalhe o desenvolvimento da criança. É importante que as crianças adotadas saibam que são frutos de uma adoção o quanto antes.O momento da revelação é difícil, mas necessário. É isso que os pais têm que ter em mente. Não existe, infelizmente, uma fórmula mágica para fazer essa revelação. Tudo depende do momento que a família está vivendo, dos questionamentos que a criança já demonstra e da idade da criança.É importante, para os pais que encontrarem alguma dificuldade, procurarem um psicologo para falarem de adoção com filhos. Esse profissional da saúde ajudará a família a passar por essa situação da melhor forma.Se a criança for pequena e aparentemente ainda não compreender o que é uma adoção, a história pode ser contada de forma lúdica. Ou então os pais podem mostrar fotos de quando ela ainda estava em orfanatos ou abrigos. É essencial que os pais expliquem que não são os pais biológicos, mas que sãos os “pais de criação ou de coração”.
Na maioria dos casos, as crianças adotadas, de alguma maneira, já desconfiam e já sabem da verdade. Para evitar conflitos, é melhor que os pais contem a história toda. Muitos pais têm medo de que os filhos adotivos os rejeitem quando descobrirem que, de fato, são adotados. Entretanto, os pais devem se lembrar que os laços afetivos criados com as crianças adotadas são muito fortes e foram construídos com muito amor, confiança e dedicação.
Crianças adotadas e suas origens
Todos têm a necessidade de saber suas origens. Os pais têm o dever de contar aos seus filhos de onde vieram e, se possível e for de interesse da criança, quem são seus pais biológicos. É unanimidade entre os especialistas que as crianças adotadas saibam sobre a adoção pelos pais. Se o filho adotivo já se encontrar na adolescência, é natural que haja um interesse por parte dele em saber mais sobre os pais biológicos. A adolescência é a fase onde buscamos descobrir a nossa identidade. Por isso, o interesse nos pais biológicos é completamente compreensivo. Portanto, pais, não tenham medo de contar a verdade ao seu filho. Revelar a adoção reforça os laços de confiança entre vocês e ele. A sinceridade é um ponto muito impontante para a união da família.

Precisamos falar sobre adoção

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, atualmente, há mais de 31,6 mil pretendentes a pais e mães adotantes em diferentes partes do Brasil e cerca de 5,5 mil crianças disponíveis para adoção. Infelizmente, os critérios para os pais como cor e idade e os entraves jurídicos e as custas de todo o processo são as principais dificuldades para que isso não seja efetivado de maneira mais eficiente.
O deputado estadual Flavio Serafini entende que esta é uma das maneiras de pensarmos em como dar uma vida digna às nossas crianças e jovens, dando oportunidade de ter um lar, cuidado, amor, elementos fundamentais para a constituição de uma família. Por conta disso, em menos de um semestre, já apresentou duas iniciativas relacionadas à adoção. A primeira é licença paternidade de 30 dias para pais naturais ou adotantes e, neste última quinta-feira, dia 18/6, um projeto de lei que isenta os custos judiciais e de cartório para fins de adoção, guarda e tutela.

MANUELA - Regina Renno

Manuela é uma menina que foi adotada muito pequena e, aos poucos, vai se dando conta que a cor de sua pele é diferente da de seus pais. A partir daí, a autora levanta questões importantes à família, de forma poética, ressaltando o respeito como fundamento essencial dessas relações.

Mulheres falam das alegrias e desafios de adotar uma criança


Assim que a porta se abre na casa de Adriana Parreira, na Ilha do Governador, os meninos Davi, de 10 anos, e Júlia, de 6, vêm correndo receber os visitantes. Embaixo dos braços, trazem orgulhosos os álbuns que reúnem fotografias deles desde antes de formularem uma memória propriamente dita. “Foi presente da mamãe”, contam os dois entre sorrisos.
O mimo foi o primeiro que Adriana deu a Davi, quando ele já tinha 5 anos de idade. Sem mais contato com os pais biológicos e vivendo em um abrigo, quis o destino que o caminho do menino cruzasse com o da jornalista, em 2011, enquanto a futura mamãe realizava um trabalho voluntário no Lar Divina Luz, na Ilha do Governador.
— Integro um grupo espírita que faz caravanas a orfanatos. Nós frequentávamos um orfanato na Ilha que fechou e me pediram para procurar outro. Foi quando chegamos ao lar onde o Davi estava. Na primeira vez que nós nos vimos, ele já chamou a mim e ao meu marido (o biomédico Caio Ramasine) de mãe e pai e perguntou se poderíamos trazê-lo para casa — relembra Adriana.
— Esta foto aqui é de quando a minha mãe fez uma festa para mim ainda no abrigo onde eu morava — conta Davi, mostrando uma imagem em que aparece ao lado de Adriana, cantando “Parabéns a você”.
— Aqui foi quando minha mãe brincou comigo e eu ainda era bem pequenininha — conta Júlia.
Apesar de conhecer a menina desde que ela mal balbuciava, a adoção demorou um pouco mais a acontecer. Ela ainda era um bebê quando Adriana e Caio faziam as primeiras brincadeiras com seu irmão biológico, o Davi. Por isso a Justiça impedia o contato entre a menina e aqueles que seriam seus pais. No entanto, assim como aconteceu com o menino, a identificação entre eles foi forte e imediata.
— A primeira vez que nós a vimos foi em uma festa de Natal. Quando a coloquei no colo, ela se enganchou em mim. Em todas as fotos daquele dia, ela aparece colada em mim, na minha cintura. Foi um grude — lembra Adriana.
Casados há oito anos na época, Adriana e Caio buscavam uma gravidez. Vários métodos foram tentados sem atingir o objetivo desejado. Até que, após acompanhar o sofrimento da mãe (injeções, remédios e frustrações), Mariana, filha de uma união anterior de Adriana, sugeriu que iniciassem um processo de adoção.
— A Mariana virou um dia e falou “Por que vocês não param com isso? Por que não adotam uma criança? É muito mais simples”. Foi neste momento que veio o clique e resolvemos correr atrás de toda a papelada — conta.
O momento mais tenso aconteceu quando os irmãos foram transferidos de abrigo, o que jogou o processo, que já estava em andamento, para outra vara judicial (os documentos saíram do Centro para Madureira). Na nova jurisdição, foram informados de que a prioridade para eles adotarem as crianças era apenas na Vara do Centro. Em Madureira, voltariam para o fim da fila.
— Ficamos desesperados. Quando conseguimos rever os meninos, eles vieram gritando: “Mãe! Pai!”. Aí foi uma questão de aguardar. A própria assistente social do novo abrigo fez um parecer positivo solicitando à juíza que pudéssemos ficar com as crianças — recorda Adriana. — Essas duas figurinhas se tornaram os maiores presentes que nós recebemos na vida.
Uma outra Adriana, também moradora da Ilha, prova que a adoção pode ser mágica para os filhos e para os pais. Quando o desejo de ter filhos aflorou no dia a dia do casal Adriana César de Brito e Sérgio Cavalcante, a realidade se mostrou mais dura que a expectativa. A turismóloga chegou a fazer intervenções cirúrgicas para tentar engravidar, mas não obteve resultado. Até que um dia Sérgio, um professor de música, deu aulas a uma criança que havia sido adotada.
— Cada mulher tem uma necessidade. Tem aquela coisa de ver a barriga crescer, da amamentação. Mas quando o Mateus chegou, percebi que só o que eu queria era ser mãe. O Mateus nasce a cada dia. Nasce a cada coisa nova que a gente ensina — avalia.
Filho de mãe soropositiva, Mateus, aos 18 meses, recebeu o resultado negativo para o teste de detecção do HIV. Hoje, aos 4 anos, o menino já toca as primeiras notas no piano de Sérgio. “Ainda é cedo para saber se ele vai gostar de música”, observa o pai coruja.

"Drufs", Eva Furnari (editora Moderna)

A escritora e ilustradora Eva Furnari é um dos maiores nomes da literatura feita para crianças no Brasil, e o reconhecimento não é à toa. Eva é criadora de alguns dos personagens que mais marcaram época desconstruindo estereótipos, como a bruxinha Zelda. Em seu livro mais recente, não seria diferente. "Drufs" é uma grande brincadeira com o que se entende hoje em dia por "família". Aqui, os pequenos são apresentados às mais diferentes composições familiares, e para desviar do didatismo que o assunto pode inspirar, a autora usa o humor. "Os Drufs são seres parecidos com a gente, só que menores", ela brinca, já com o intuito de despertar a empatia e o reconhecimento nos pequenos leitores.

Aqui, são as próprias crianças que contam como são suas famílias: Família Padoca, Família Ui, Família Gorrinho. O que será que elas têm de comum e diferente? “Minha família tem três pessoas, contando eu e descontando meu pai, que já morreu. No ano que vem vai ter quatro pessoas de novo, porque a minha prima do interior vem morar com a gente", diz o trecho que conta como são as coisas na Família Zum. Um livro para desconstruir ideias prontas e lembrar que a diferente é o denominador comum daqueles que decidem viver juntos.


"Aos Olhos do Mar", Cristiane Tavares e Chris Mazzotta (Editora MOV Palavras)

Misto de autobiografia e ficção, "Aos olhos do mar", de Cristiane Tavares propõe uma narrativa poética minada de simbologias e linguagem metafórica. Na história, duas aldeias são separadas pelo mar, "de Cá" e "de Lá": uma é habita só por crianças e outra só por adultos. Então, depois de uma forte tempestade agitar tudo, um encontro inesperado acontece. As ilustrações, com uma proposta semelhante à da ilusão de ótica, sugerem ao leitor os limites borrados entre um lado e outro, e o tema da adoção aparece de forma sutil, em meio a esse universo, mostrando que misturar o conhecido e o desconhecido às vezes é essencial para entender (e sentir) as coisas.

"Flavia e o bolo de chocolate", Miriam Leitão e Bruna Assis Brasil (Editora Rocco)

Escrito pela jornalista Miriam Leitão, o livro apresenta os dilemas da pequena Flavia sobre o por que de sua pele ser marrão e tão diferente da pele branca da mãe. Na história, a questão da adoção aparece junto a outro tema de importância crucial: a diversidade racial. Como sensibilizar a pequena Clara sobre as diferenças e como elas podem unir as pessoas? Com sensibilidade, as ilustrações de Bruna Assis Brasil guiam o leitor por uma jornada de autoaceitação e descoberta do amor.

"É proibido falar disso", George Schlesinger e Bruna Assis Brasil (Companhia das Letrinhas)

O título deste livro indica os tabus que muitas vezes cercam o tema. A narrativa gira em torno da pequena Ruth, de seis anos, que vive querendo saber sobre a história da irmã adotiva e recebe dos pais silêncio e mistério. Então, com a ajuda do amigo Dudi, ela consegue ultrapassar o muro colocado entre ela e o tema da adoção, e entender que a história da irmã em sua família original marcou a sua própria história de uma forma que ela nunca poderia esperar.

15 coisas que você nunca deve dizer a uma mãe adotiva

Assim como Giovanna Ewbank, Astrid Fontenelle e Angelina Jolie, muita gente resolve adotar e fala abertamente sobre isso. Mesmo assim, ainda existem pessoas inconvenientes que insistem em fazer comentários desagradáveis, grosseiros e até ofensivos. Infelizmente nem todo mundo tem bom senso, então aqui vai uma lista de 15 coisas que nenhuma mãe adotiva – ou mãe do coração – deveria ser obrigada a ouvir.

1. É seu filho? Mesmo?
É comum que os pais do coração ouçam isso quando a criança tem uma etnia muito diferente da deles. Para começo de conversa, é preciso estabelecer uma coisa: filho é filho, independente do DNA! Se alguém diz “Olá, esse é meu filho”, simplesmente não fique duvidando disso, OK?

2. A gravidez foi uma fase linda na minha vida. Você não sentiu falta disso?
Que bom que foi algo lindo na SUA vida. Talvez aquela mãe realmente gostaria de ter tido essa experiência, mas não conseguiu. Se esse foi o caso, perguntas assim só servem para magoar quem tanto desejou uma gestação. E mesmo se não for, um comentário desse tipo dá a entender que você considera aquela mulher menos mãe pelo fato de não ter engravidado. Apenas pare!

3. Você tentou engravidar e não conseguiu? O problema é com você ou com o seu marido?
Você tem intimidade o suficiente com essa mulher para sair perguntando detalhes tão íntimos? O ideal é sempre deixar que o assunto seja proposto por ela e não por você!

4. Mas você chegou a recorrer à reprodução assistida?
Nem todo mundo tem dinheiro para bancar procedimentos como esse, sabia? Além disso, há casos de mulheres que simplesmente não querem passar por esse processo. E daí? Adotar é um gesto lindo que envolve amor, generosidade e entrega. Ao invés de sair fazendo mil indagações, apenas respeite a escolha dos outros.

5. Mas você ainda pensa em ter filhos biológicos?
Mais uma vez: ao fazer esse tipo de pergunta você parte do pressuposto de que um filho adotado tem menos valor do que um biológico. Isso é absurdo! O mais sensato seria perguntar “Você pensa em ter mais filhos?”. Ponto!

6. Ah, mas a sensação não é igual a de ter um filho “de verdade”, né?
Quem tem coragem de dizer algo tão grosseiro assim simplesmente merece o troféu de pessoa mais insensível do mundo. Para começo de conversa: filhos adotados são filhos de verdade! Não é o óvulo, o útero ou o espermatozoide que definem isso, mas sim o amor entre pais e filhos.

7. Você conhece a mãe “verdadeira” dele?
A mãe adotiva É a mãe verdadeira da criança. Simples assim!

8. E ele já sabe que é adotado? Deve ser muito estranho ter essa conversa!
Por pura curiosidade – já que essa informação não fará a menor diferença na sua vida – você estará tocando num assunto que pode ser sofrido para aquela mãe. Muitas famílias lidam com isso sem qualquer tipo de problema, mas realmente vale a pena arriscar? Certamente não!

9. Como é a relação dela [a criança adotada] com seu(s) outro(s) filho(s)?
Com esse é um tipo de pergunta você está automaticamente deixando implícita uma diferenciação entre filhos biológicos e filhos adotivos. A única diferença é o útero, mas o amor é o mesmo! É possível que exista rixa entre os filhos? Sim, como há entre qualquer irmão. Mas você não tem nada a ver com isso! Especialmente pelo fato de que esse pode ser um assunto extremamente delicado para alguns pais. Não faz o menor sentido se intrometer dessa forma na vida familiar dos outros.

10. Mas por que você não escolheu uma criança parecida com você?
DNA não define amor e cor de pele também não! E você tem ideia de quantas crianças têm dificuldade em ser adotadas por causa da etnia? Todas as crianças merecem uma família. Simples assim!

11. Nossa, mas vocês são bem parecidos. Até parece que é seu filho “de verdade”!
Aquele É o filho de verdade da mãe com quem você está conversando. Pode ter certeza de que um comentário desse tipo NÃO é um elogio.

12. Essa é a criança que você e seu marido criam?
Não! Esse é o filho do casal. E essa é uma família como qualquer outra!

13. Mas você não sentiu falta de acompanhar os primeiros meses de vida dele?
Muitos casais acabam adotando crianças mais crescidinhas e esse é um ato de amor incondicional. As pessoas precisam reconhecer isso, ao invés de fazer perguntas tão insensíveis – e inúteis – quanto essa!

14. Você não tem medo de descobrir que ele tem problemas por causa da herança genética?
Uma pergunta dessas vai mudar alguma coisa na sua vida? Não. E ela pode angustiar MUITO aquela mãe. Outra coisa: filhos biológicos também podem ter problemas genéticos, viu? E não são menos amados por isso!

15. Eu, particularmente, não sei se conseguiria amar o filho de outra mulher como se fosse meu.

E nós, particularmente, achamos que comentários absurdamente insensíveis como esse deveriam ser extintos da face da Terra!

Rejeitado recurso de casal que se arrependeu de entregar filho para adoção


Em decisão unânime, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou recurso interposto por um casal que se arrependeu de ter entregado o filho recém-nascido para adoção. Para o colegiado, o tempo de convívio da criança com a família adotante prevaleceu sobre os argumentos apresentados pelos pais biológicos.

De acordo com o processo, o casal, ainda na maternidade, manifestou a vontade de não ficar com a criança, o que foi ratificado em juízo, na presença do Ministério Público. Três meses depois, foi prolatada sentença de adoção para um casal devidamente inscrito no cadastro de adotantes.

No mês seguinte, a mãe biológica ajuizou pedido de retratação, que foi extinto porque a adoção já havia transitado em julgado.

Pedido de vista

A decisão foi mantida em segundo grau. Para o tribunal, “nos termos do artigo 166, parágrafo 5º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o consentimento da entrega de menor para adoção é retratável até a data da publicação da sentença constitutiva da adoção. 

No recurso especial, o casal alegou, entretanto, que um mês após o nascimento da criança, por meio da Defensoria Pública, protocolizou pedido de vista dos autos, a partir do qual pretendia fazer retratação da sua manifestação inicial. A demora para o atendimento do pedido de vista, aliada à celeridade do processo de adoção, teriam impossibilitado a manifestação da vontade de retratação do casal antes da prolação da sentença.

Para a Defensoria, o pedido de vista protocolizado antes da prolação da sentença deveria ser considerado como manifestação inconteste de que o casal buscava a retratação do consentimento dado anteriormente para a adoção.

Família sedimentada

A relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, apontou que – conforme lembrado pelo tribunal de origem –a retratação poderia ter sido apresentada pelo casal independentemente do pedido de vista. Mas, sobretudo, ela destacou o fato de a criança, hoje, já estar com quase quatro anos de idade e em núcleo familiar sedimentado.

Segundo Nancy Andrighi, ainda que, em tese, fosse comprovada a manifestação da retratação, isso, por si só, não levaria à anulação do processo de adoção já finalizado, ante o efetivo convívio familiar de quase quatro anos. 

“Existe convívio efetivo do adotado e seus pais adotivos há quase quatro anos, quadro que se fosse desconstruído hoje, redundaria em graves sequelas para a saúde emocional, não apenas do menor, mas também de seus pais adotivos que cumpriram os requisitos legais para adoção, submetendo-se a todo o rígido sistema legal que garante, ou procura garantir, o bem-estar do menor na nova família”, concluiu a relatora.

O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial.

Preconceitos marcam adoção voluntária

“O fato de que toda mulher nasceu para ser mãe é o mito do amor materno criado e imposto pela sociedade. As mulheres que não se encaixam nesse perfil sofrem preconceito, e são esses pré-conceitos que reforçam a entrega inadequada e até o abandono da criança”, declarou a doutoranda em Psicologia Clínica, Karla Luna de Menezes, nesta sexta-feira, 24, durante o seminário: “A entrega voluntária de crianças para a adoção e o trabalho em rede”, no Fórum Cível de Belém. O evento foi promovido pela Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Pará (CEIJ/TJPA).
Karla apresentou um de seus estudos sobre o tema que mostra os motivos e sentimentos da doação voluntária. “Percebemos que existem motivos conscientes, que são os que as mães revelam, como não ter condições socioeconômica e familiar; e os motivos inconscientes, aqueles que estão por trás do discurso, como dependência emocional e psíquica. Karla citou como exemplo da sua pesquisa uma mulher que entregou seu filho para adoção porque não recebeu da sua mãe amor materno. “O sentimento de abandono é reproduzido e impede a mulher de exercer a maternidade”, explicou.
Durante o evento, o desembargador José Maria Teixeira do Rosário, coordenador da CEIJ, disse que é importante que as crianças entregues sejam adotadas pelos inscritos no cadastro nacional ou pela família extensiva amparadas pela legalidade. “As mães que querem entregar uma criança para adoção devem procurar a Vara da Infância que serão acolhidas pela equipe multidisciplinar para ter o poio psicológico e emocional”. O magistrado destacou ainda os desafios da adoção. “Adolescentes sofrem dificuldades para serem adotadas. As famílias preferem crianças de 0 a 6 anos de idade e sem muitos problemas”, disse. 
O objetivo do evento é garantir o direito da criança a um desenvolvimento saudável, fortalecendo a Rede para receber a adoção voluntária sem pré-conceitos e com todo o respeito à decisão da mãe, explicou o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude e juiz auxiliar da Corregedoria do TJPA, João Augusto de Oliveira. Com essa perspectiva, a palestrante Luanna Tomaz de Souza, doutora em direito e conselheira da OAB/Pará, considerou a pressão social que a mulher vive. “A mulher tem um conjunto de responsabilidades enlouquecedoras. Ela é vista como a responsável por manter a sagrada família e a estabilidade do lar. Por tanta pressão acabam adoecendo, por isso temos que respeitar a mulher que não quer passar por isso, que não tem condições financeiras, nem psicológicas de assumir esse ideal imposto pela sociedade. A Rede precisa entender e ajudar”, declarou Luanna.
Também participaram da mesa de debates a pós doutora em ciência da reabilitação, Simone Souza da Costa; e a doutora em educação Adriana Raquel Santana. O Seminário foi transmitido ao vivo pela internet, no Portal do TJPA. Estiveram presentes no evento representantes do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselheiros Tutelares, Escola de Conselhos, diretores e servidores da área da saúde e da assistência social do Estado do Pará e entidades de classe.   

Fonte: Coordenadoria de Imprensa
 Texto: Nara Pessoa
 Foto: Nara Pessoa/TJPA /

ADOÇÃO - Salário e licença-maternidade: novas regras estão em vigor

"A lei traz para a realidade jurídica uma realidade social que já existe", defende o consultor de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), advogado trabalhista e presidente do Instituto Goiano de Direito do Trabalho, Rafael Lara Martins. A constatação se refere à Lei nº 12.873, que definiu novas regras para licença-maternidade em caso de adoção.
Sancionada em outubro de 2013, a lei entrou em vigor no dia 27 de janeiro. Desde então, pais que adotam uma criança têm direito à licença-maternidade de 120 dias de auxílio pelo INSS e afastamento do trabalho. Até então, só a mãe poderia tirá-la, mas a norma esclarece que apenas um integrante do casal pode solicitar esta licença. "É uma ideia de talvez mudar a nomenclatura, de adequar, porque é uma licença familiar. O objetivo não é a maternidade, não é a paternidade. O objetivo desta licença é propiciar que aquela criança que está chegando tenha um tempo mínimo para adquirir um laço familiar maior", defende Rafael.

Outra regra adotada na nova lei é a possibilidade de o pai adquirir a licença maternidade da mãe se ela vier a falecer. "Inclusive com o afastamento do trabalho", enfatiza o advogado.
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Adotado por pais homossexuais, menino escreve redação sobre ser ‘a criança mais feliz do mundo’

Em entrevista ao G1, casal diz que pretende adotar mais três crianças. João afirma que 'ama muito sua nova família'.

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Apenas 4 das 110 crianças disponíveis para adoção no DF têm perfil buscado pela maioria dos interessados

Jéssica Antunes
 jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br

Diz a Constituição Federal e confirma o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): o direito à convivência familiar e comunitária é tão importante quanto o direito à vida, à saúde, à educação, ao respeito e à liberdade. Assim, nenhum dos 110 adolescentes e crianças cadastrados para adoção deveria estar fora de um lar. Ainda mais quando se constata que há quase cinco famílias habilitadas para cada jovem acolhido em instituições da capital. O processo esbarra em perfis idealizados pelos candidatos a pais. A partir de hoje, série de reportagens do JBr mostra desafios, obstáculos e histórias de adoção.
Dados do Cadastro de Adoção levantados pela Vara da Infância e da Juventude (VIJ) mostram que há 541 famílias habilitadas para filiação, enquanto os 110 menores aguardam por um novo lar. O problema é que apenas quatro estão no perfil buscado por 96,3%: o de bebês com menos de três anos – três meninos e uma menina. Quanto mais velhos, menor é a possibilidade de conseguirem uma família. Isso explica o fato de que 84% são maiores de seis anos e mais da metade têm mais de 12 anos. Acima dessa faixa etária, nenhuma família brasiliense diz aceitar.
Além da idade, enfermidades e até vínculo familiar são empecilhos para a adoção. Apesar de não haver dados em relação à preferência de saúde das famílias habilitadas, a VIJ garante que a maioria só tem disponibilidade para crianças saudáveis ou com problemas mais leves de saúde. Hoje, existem pelo menos dois adolescentes e três crianças com problemas mais graves e possibilidades mínimas de adoção.
Quase metade dos meninos e meninas têm irmãos – 34 com dois, seis com três e 12 com quatro. Segundo a Justiça, a maioria das famílias habilitadas prefere adotar apenas uma criança. Quando se dispõem a adotar irmãos, o limite é de dois. No cadastro atual, apenas uma família se dispõe a acolher um trio.
Para Walter Gomes, supervisor da área de adoção da Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do DF, o motivo para a conta não fechar é claro: “Ainda se alimenta o desejo utópico de adotar uma criança de tenra idade e acompanhar todas as fases de desenvolvimento. É uma solicitação de difícil negociação, com inflexibilidade em relação a esse desejo”, afirma. Por isso, tenta-se usar a sensibilização para modificar ou moldar o desejo, mas, segundo o gestor, nada é imposto.
Enquanto o desejo é limitado, o perfil das famílias interessadas é cada vez mais sortido. “Tem um número maior de casais heterossexuais, mas o cadastro tem passado por pluralização. Casais heterossexuais no segundo ou terceiro casamento, solteiros heterossexuais ou não, divorciados, casais homoafetivos. A legislação não apresenta nenhum critério diferenciador em razão de gênero, de orientação sexual, de status socioeconômico, de opção político partidária”, revela Walter Gomes.
O que determina são as características protetoras, se os interessados vivenciam o afeto de forma plena e se há consciência do que significa exercer papéis parentais de caráter adotivo.
“Baixa renda não é mais o primeiro critério para levar uma criança ou adolescente a uma casa de acolhimento. Geralmente são maus-tratos, drogas, abuso sexual e psicológico, mendicância”, revela a psicóloga Soraya Pereira, presidente da ONG Aconchego, Grupo de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária. Casas de acolhimento confirmam a situação.
Gestor da Vara da Infância, Walter Gomes é mais cauteloso. Diz que não se pode elencar um motivo específico, embora aponte que o uso de drogas possa sobressair. De acordo com ele, há casos de privação socioeconômica, violência extrema física e sexual, instrumentalização em prol da mendicância, venda e tráfico infantil, entre outras práticas criminosas.
Devolução
No DF há poucos casos de desistência do processo de adoção, em que a criança é devolvida. Mesmo assim, “é sempre um alerta para que a equipe trabalhe de maneira redobrada e tome cautelas para que o estado de convivência aconteça da melhor forma possível, sem riscos”, considera o gestor da VIJ. Isso é tratado com prevenção. “A convivência deve ser iniciada com garantia de sucesso, senão a criança poderá ser colocada em xeque do ponto de vista emocional.”
“Trabalhamos para estimular as famílias e dar instrumentos básicos para manejarem as crises. Os problemas advindos da construção de vínculos entre pais e adotandos não diferem, em nada, do dia a dia entre pais e filhos biológicos”, explica Walter Gomes. Por isso, diz, há rigor na habilitação.
Ponto a ponto
Quem pode adotar
Maiores de 18 anos pelo menos 16 anos mais velhos que o adotando; divorciados ou separados que tiveram juntos o estágio de convivência com o adotando e concordem com regime de visitas; quem estabeleceu vínculo com o filho do companheiro.
Quem não pode adotar
Avós ou irmãos do adotando; quem não ofereça ambiente familiar adequado, revele incompatibilidade com a adoção, apresente motivação ilegítima e não ofereça reais vantagens para o adotando.
Quem pode ser adotado
Crianças ou adolescentes cadastrados após decisão judicial precedida por estudo psicossociopedagógico que constate impossibilidade da permanência da criança na família de origem.
Procedimentos para adoção

Interessados em se habilitar para adoção devem procurar assistência jurídica para peticionar a habilitação para adoção junto à Justiça. São documentos, entrevistas, triagem até a petição da habilitação dos candidatos. Aprovado, o candidato participa do curso obrigatório – de quatro encontros de três horas – que promove a vivência da adoção.

Rio terá Observatório Nacional da Adoção


O Rio ganhará, em maio, um Observatório Nacional da Adoção. É para avaliar dados disponíveis sobre adoção. A iniciativa é do procurador Sávio Bittencourt que garante que há um número esquecido de crianças em abrigos: ​47.0​​06 crianças e adolescentes vivem em abrigos, mas ​apenas 7.301 estão aptos para adoção.

Jovem de 27 anos é suspeita de vender filha recém-nascida a casal

A Polícia Civil investiga a suposta venda de um bebê recém-nascido a moradores do bairro Coophatrabalho, em Campo Grande/MS. Já a jovem de 27 anos alega que resolveu dar a filha para “adoção”, porque estaria passando por “dificuldades financeiras”. O caso foi descoberto na manhã desta segunda-feira (20), depois que o setor psicossocial do hospital ficou sabendo da negociação.
De acordo com o boletim de ocorrência, em conversa com a psicóloga do hospital, a mãe da criança confessou que estava passando por dificuldades financeiras durante a gestação e que realmente "passou por sua cabeça doar a criança" para uma mulher de 38 anos e o esposo dela de 44 anos, pelo fato de que “teriam melhores condições para criarem a menina”.
Ainda conforme o registro, a mãe e o casal já haviam combinado que após receberem alta, a mulher e o bebê iriam ficar um tempo na casa dos dois, até que decidisse se realmente "doaria" a criança para o casal.
Diante da doação ilegal, a psicóloga do hospital chamou a polícia que, por meio de investigações, descobriu que na casa do casal já havia roupas, berço, cômoda e fraldas para a bebê e que no celular da mulher que "adotaria" a criança, havia mensagens de “parabéns, Mamãe”, dando a entender que a mãe realmente entregaria a filha recém-nascida para ela.

O casal e a mãe da criança irão responder por prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa. Eles prestaram depoimento à polícia, porém foram liberados. O caso é apurado pela Dpca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Fonte: campograndenews

Adoções por estrangeiros no Brasil não crescem mesmo com inclusão em cadastro

Foram 115 adoções internacionais em 2016, menor número da série histórica. Perfil dos pretendentes do exterior no Cadastro Nacional de Adoção é bem diferente do de brasileiros; ainda assim, alguns fatores têm dificultado as adoções.

Por Thiago Reis, G1

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