Reflexões Acerca da Adoção na Perspectiva Analítica

Alguns fatores, relacionados em torno do processo de adoção, acompanham tanto os pais adotivos quanto os filhos adotados, além da família e sociedade que os envolve. Tendo como referencial teórico a psicologia analítica, este trabalho visa refletir de que forma a adoção pode constituir-se num decurso de integração da sombra e consequente influência no processo de individuação dos pais. O presente artigo intenciona articular escritos publicados sobre adoção, sombra e processo de individuação, visando suscitar reflexões acerca do tema em todas as pessoas que se interessam em compreender de que forma a adoção pode emergir conscientemente elaborada a partir da integração da sombra, o que influenciará no processo de individuação dos pais adotantes, dentro da perspectiva analítica, bem como analisar os motivos que influenciaram na escolha pela adoção, refletir sobre a transição para a maternidade e paternidade no processo de adoção e estudar as mudanças sociais e psíquicas observadas nos pais adotantes decorrentes da adoção, além de trazer contribuições no sentido de auxiliar familiares e profissionais envolvidos com a adoção. Os dados coletados foram obtidos através de entrevista com um casal adotante. Pretende-se a partir da fundamentação analítica, contribuir a respeito dessas reflexões, revelando inclusive a carência de artigos relacionados e a necessidade dos profissionais dessa abordagem em produzir escritos que tratem do tema em questão.
Palavras-chave: adoção, psicologia analítica, sombra, processo de individuação.

Introdução

Vários mitos gerados em torno do processo de adoção acompanham tanto os pais adotivos quanto os filhos adotados, além da família e sociedade que os envolve. Todo ser humano vivencia algum tipo de conflito, sendo este constitutivo da sua formação, mas o que interessa neste trabalho é refletir de que forma a adoção pode constituir-se num decurso de integração da sombra e consequente influência no processo de individuação dos pais, segundo o referencial teórico da psicologia analítica.
Levinzon (2005) a partir de relatos dos pais e da sua experiência clínica traz diferentes motivos pelos quais as pessoas buscam a adoção. São eles: o contato com uma criança que desperta o desejo da maternidade ou paternidade, o desejo de ter filhos quando já se passou da idade em que isto é possível biologicamente, a esterilidade de um ou ambos os pais; a morte anterior de um filho, o desejo de ter filhos sem ter de passar por um processo de gravidez, por medo deste processo ou até por razões estéticas, o parentesco com os pais biológicos que não possuem condições de cuidar da criança, as idéias filantrópicas, o anseio de serem pais,  por parte de homens e mulheres que não possuem um parceiro amoroso.
Schettini (1998) acrescenta ainda a tentativa de salvar um casamento, o desejo de ter companhia na velhice; o medo da solidão; o preenchimento de um vazio existencial, a possibilidade de escolher o sexo da criança.
Normalmente as representações que a maioria das pessoas elabora acerca da família, se fundamentam nos laços consanguíneos, o que possivelmente aumenta a possibilidade do filho adotivo e pais ocuparem um espaço de exclusão, como Woodward (2000) afirma, relatando que essa “diferença pode ser construída negativamente por meio da exclusão ou da marginalização daquelas pessoas que são definidas como "outros" ou "forasteiros" (p.50).
Todos esses aspectos influenciarão na dinâmica psíquica dessa nova configuração familiar, e, portanto, a importância de situar a experiência da adoção como um processo de individuação, definido por Jung (1985) como “tornar-se um ser único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos pois traduzir “individuação” como  “tornar-se si-mesmo” ou “o realizar-se do si-mesmo” (p.49)”.
...o bebê, por exemplo, chega ao mundo preparado para desempenhar seu papel ao constelar adequadas atitudes e condutas maternais na pessoa que cuida dele, arrulhando, sorrindo, mamando e, de um modo geral, tornando-se uma criatura adorável. Ao mesmo tempo (se tudo correr bem) a mãe está preparada para assumir o papel de alimentar e criar o seu bebê. O par mãe-bebê descreve um padrão arquetípico de fantasia humana e de ação recíproca interpessoal que é primordial e tem importante valor de sobrevivência. (STEIN, 2005, p. 154).
Para cada etapa da vida existem tais constelações de instinto e arquétipo, as quais resultam em padrões de comportamento, sentimento e pensamento.
A forma de vivenciar essa maternidade/paternidade adotante dar-se-á de acordo com as singularidades e individualidades do casal o que possibilitará um avanço no processo de individuação, se olhado sob o aspecto de uma ampliação de consciência, incluindo a devida elaboração e integração da sombra.
Assumir a paternidade/maternidade implica em responsabilizar-se pelo desenvolvimento de um indivíduo, numa sequência de trocas que pode acarretar em transformações numa série de áreas da vida sejam elas materiais, emocionais e espirituais que possivelmente não foram cogitadas.  Com relação a essas transformações Jung (1986)constata que:
... por via de regra, as reações mais fortes sobre as crianças não provém do estado consciente dos pais, mas de seu fundo inconsciente. Para toda a pessoa de responsabilidade moral, que ao mesmo tempo é pai ou mãe, representa este fato um problema de certo modo amedrontador... Sobrevém a qualquer pessoa um sentimento de extrema incerteza moral, quando se começa a refletir seriamente sobre o fato da existência de atuações inconscientes. Como então se poderá proteger as crianças contra os efeitos provenientes de si próprio, quando falha tanto a vontade consciente como o esforço consciente?...Em geral se acentua muito pouco quão importante é para a criança a vida que os pais levam, pois o que atua sobre a criança são os fatos e não as palavras. Por isso deverão os pais estar sempre conscientes de que eles próprios, em determinados casos, constituem a fonte primária e principal para as neuroses de seus filhos. (p.45-46)
Nesse sentido, o processo de desenvolvimento psicológico, a tentativa de tornar-se uma personalidade unificada, mas também única, um indivíduo, uma pessoa indivisa e integrada, unindo aspectos conscientes e inconscientes da personalidade, é de extrema importância para integrar a adoção no processo de individuação.
O presente artigo intenciona articular escritos publicados sobre adoção, sombra e processo de individuação, visando suscitar reflexões acerca do tema em todas as pessoas que se interessam em compreender de que forma a adoção pode emergir conscientemente elaborada a partir da integração da sombra, o que influenciará no processo de individuação dos pais adotantes, dentro da perspectiva analítica, bem como analisar os motivos que influenciaram na escolha pela adoção, refletir sobre a transição para a maternidade e paternidade no processo de adoção e estudar as mudanças sociais e psíquicas observadas nos pais adotantes decorrentes da adoção tendo como viés os conceitos de sombra e processo de individuação, além de trazer contribuições no sentido de auxiliar familiares e profissionais envolvidos com a adoção.
Pretende-se a partir da fundamentação analítica, contribuir a respeito dessas reflexões, revelando inclusive a carência de artigos relacionados e a necessidade dos profissionais dessa abordagem em produzir escritos que tratem do tema em questão.
Este trabalho está estruturado da seguinte forma: a primeira parte abarca a revisão de literatura, na qual houve um aprofundamento do tema abordado, enfocando a conceituação e historicidade da adoção, os principais conceitos da psicologia analítica enfocando a sombra na família e como a adoção pode constituir-se num processo de individuação. A segunda parte aborda o método, onde se delineou a pesquisa, o contexto, os participantes, além do plano de coleta e análise dos dados. Na terceira parte serão apresentados e discutidos os dados coletados em entrevista para em seguida realizar a conclusão do trabalho.

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Defender Direitos da infância: Brasil cai 64 posições em índice global

De acordo com o KidsRights Index 2016, de 2015 para 2016, o Brasil passou do 43º para 107º lugar do ranking que avalia os países em relação à garantia dos direitos da infância. Entre os pontos mais críticos do país, constatados pelo Comitee on the Rights of the Child (CRC) (Comitê de Direitos da Criança), estão: discriminação estrutural contra crianças indígenas e afrodescendentes, crianças com deficiência, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais; e crianças vivendo na rua, em áreas rurais e remotas e em áreas urbanas marginalizadas, incluindo favelas.
O índice é elaborado pela fundação internacional KidsRights, em parceria com a Erasmus University, e é divulgado anualmente. Em 2016, o número total de países avaliados foi 163, sendo que as cinco primeiras posições ficaram para Noruega, Portugal, Islândia, Espanha e Suíça, respectivamente. A pesquisa é baseada em dados quantitativos publicados pelo UNICEF e dados qualitativos publicados pelo Comitê dos Direitos da Criança da ONU em Concluding Observations para todos os países legalmente associados à Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança.

TJ-RJ mantém condenação de casal que devolveu três irmãs para adoção

Por considerar que restou evidente que a decisão dos réus se deu de forma imotivada, a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve condenação de primeiro grau e negou, por unanimidade, o recurso de um casal de pais adotivos que devolveu três irmãs ao abrigo onde elas viviam.
Os réus, que alegaram não ter se adaptado às crianças, foram condenados a pagar um salário mínimo, na proporção de 1/3 para cada criança até a efetiva adoção das mesmas, além de indenização por dano moral no valor de R$ 10 mil para cada menina, conforme determinado pelo juiz Sergio Luiz Ribeiro de Souza, da 4ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Santa Cruz, na zona oeste.
“Desta forma, não se vislumbra cabível o acolhimento da presente insurgência recursal, haja vista que restou evidente que a devolução das crianças se deu de forma imotivada, pelo total despreparo dos adotantes, e que esta acarretou mais um abalo para as crianças, que novamente viram frustrado o sonho de ter um lar”, justificou o desembargador Claudio de Mello Tavares, relator do processo.
O casal conheceu as crianças em fevereiro de 2012 no abrigo onde elas viviam. No mês seguinte, obtiveram a guarda das meninas após avaliação da Vara da Infância, dando início ao período de convivência. Em setembro do mesmo ano, as crianças foram novamente encaminhadas para o abrigo após o processo mal-sucedido de adoção. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.
Processo 0001435-17.2013.8.19.0206

Astrid Fontenelle escreve carta à Titi, filha de Gio Ewbank e Gagliasso

“Querida Titi, você nem imagina ainda o quanto é amada. Foi o que escrevi ao Gabriel na primeira carta pra ele. Crianças são estrelas. Pedia tanto que uma caísse no meu coração que, quando aconteceu, estava preparadíssima. Cheia de amor. É disso que toda criança precisa. Amor! E atenção. Educar é estar atenta e amando. Por isso, digo que TODA criança precisa ser adotada pelos pais. Não deleguem, eduquem, não desistam, amem. Também não os tratem como especiais, muito menos a quem os adotou. Somos pais e filhos como todos. Não é ato de caridade. É um ato de amor, pensado. Foi minha melhor opção para ter um filho. Filhos queridos tanto faz de que forma venham, se de estrelas, barriga de aluguel, inseminações... Filhos são nossa vontade de repassar amor e conhecimento, nossa vaidade de ter pessoas melhores no mundo. Um dia, quando Gabriel crescer, ele mesmo contará sua história, que, assim como a da Titi, tem a ver com predestinação. Essas estrelas estavam marcadas para serem nossas. Os astros conspiraram muito a nosso favor. Meu, do Fausto e do Gabriel. Da Giovanna, do Bruno e da Titi!”

179 crianças e adolescentes alagoanos esperam adoção ou volta ao lar

Segundo dados da Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (Ceij), 179 crianças e adolescentes, sendo 90 na capital e 89 no interior, com idade entre um e 17 anos, estão em unidades de acolhimento, aguardando o retorno à família de origem ou a destituição do poder familiar, para então poderem encontrar um novo lar. Destes, apenas 21, com idade entre 11 e 17 anos, estão aptos para adoção.
Ainda de acordo com o órgão, que é ligado à Corregedoria-Geral da Justiça de Alagoas (CGJ), 100 famílias estão habilitadas para a adoção no Estado. No entanto, nem sempre o perfil procurado - meninas brancas, com idade até três anos - é o mesmo das crianças ou adolescentes que se encontram nos abrigos, o que retarda as adoções. Em 2015, foram realizadas 281 adoções em Alagoas.
“Precisamos mudar a cultura da adoção, para que todas as crianças e adolescentes que estão institucionalizados tenham chance de encontrar uma nova família”, disse o juiz Carlos Cavalcanti, membro da Ceij e presidente da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai).
Segundo o magistrado, esse será um dos assuntos debatidos no 6º Encontro Estadual de Adoção, que será realizado no próximo dia 25, a partir das 8h, na Escola Superior da Magistratura (Esmal). O evento, promovido pela Corregedoria com apoio do Conselho Estadual da Infância e Juventude (Cedca), reunirá juízes, conselheiros tutelares e equipes técnicas para debater alternativas para ampliar as possibilidades de adoção no Estado, por meio de palestras e da troca de experiências.

Campanha pró-adoção ‘transforma’ crianças sírias em Pokémons: ‘Venha me capturar’


Uma página no Facebook ligada às Forças Revolucionárias da Síria, grupo opositor ao regime do ditador Bashar al-Assad, postou, nesta quarta-feira, imagens que mostram crianças sírias da região de Idlib, no norte do país. Segurando cartazes, elas exibem personagens do desenho Pokémon com um único pedido: “Venha me capturar”.
O gancho da campanha pró-adoção está diretamente relacionado à febre recente do “game mobile” “Pokémon Go”. “Estou em Kafr Nabl, na periferia de Idlib, venha e me capture”, diz uma das placas.

Sugestão de Filme



DiretorJohn Huston
Ano1981
PaísEUA
Duração127
Título originalAnnie
AtoresTim Curry, Albert Finney, Carol Burnett, Bernadette Peters, Sandy, Ann Renkong, Edward Herrmann, Geofrey Holder
Resenha: Orfã é adotada por milionário após passar um tempo em um orfanato (Adoção tardia por família monoparental).

Carta para a mãe

“Oi mãe.
Me disseram que você vai passar no abrigo. Me disseram que, talvez, quem sabe, você vai passar no abrigo. Então eu estou escrevendo essa carta pra você.
Eu era a Sheila.
Agora mudou. Agora sou Teresa, que nem a santa. Vou a igreja toda semana. É bonito, grande, a gente canta. É bonito mesmo.
Tô escrevendo para dizer que tá tudo bem, não precisa se preocupar. Tenho escola e casa. Bem melhor que o abrigo. A escola tem uniforme e a professora é muito bonita. Tem muitos cadernos e livros. Eu não gosto de ler. A professora disse que quando eu aprender vai ser mais fácil. Eu não gosto. As meninas da escola são legais. Elas têm um monte de coisas e as vezes emprestam.
Eu tô bem agora. Até minha tosse passou. As vezes volta, mas é bem fraquinha. Tem um xarope que eu estou tomando e vai resolver.
Então você não precisa mais se preocupar, nem vir pro abrigo. Eu tô bem”

- Acho que tá bom. – diz a menina de 10 anos.
- Bem, eu acho que ainda falta dizer algumas coisas. Você tá indo sozinha pra escola? Tá tomando o remédio sozinha?
A menina fica em silêncio, olhando para Dona Rosa.
- Teresa, a ideia de fazer essa carta foi sua. Pra que mesmo você queria essa carta?
A menina tenta, mas não consegue falar. Alguma coisa fica engasgada na garganta. Por fim consegue falar.
- Eu não quero voltar pra ela. Ela não era boa, não cuidava da gente. Ela ...- e a voz some.
- Teresa, você não vai voltar. Isso acabou, você foi adotada.
- Mas ela pode voltar, voltou várias vezes, nunca dava certo.
- Mas agora acabou. Tem decisão de juiz, papel passado, acabou.
A menina volta a ficar em silêncio.
- Olha, se for por isso, nem precisa de carta. Se ela aparecer, e quiser levar você, ela pode até ir presa. A polícia vai proteger vocês.
- Não.
- Eu só tô dizendo que ...
- NÃO QUERO ELA PRESA ...- começou a chorar a menina.
- Teresa, calma, isso não vai acontecer.
- EU SÓ NÃO QUERO VOLTAR.
- Não você não vai. – diz Rosa, e abraça a menina durante um tempo, enquanto ela se acalma.
- Eu acho que podemos deixar essa carta pra outro dia. Pensar nisso com calma. O que você acha?
- Não. Quero fazer isso.
- Tá então o que você quer dizer?

“Mãe, agora você é minha mãe de barriga. Isso por que eu tenho outra mãe. E um pai também. Eles são meus pais, todo mundo sabe disso. Me levam pra escola e pro médico. Lá que o médico disse pra eles por que eu tusso tanto. Eles compraram remédio e me dão o xarope todo dia. Eu vou ficar boa. Eles são meus pais. Na escola eu só posso sair se for com eles. Não posso sair sozinha, ou com outras meninas, ou com as mães das minhas amigas. Nem a empregada pode me levar. Só eles. Eles são meus pais agora.
Eu tô bem, não vem me procurar.
Se você vier, o juiz pode mandar chamar a policia. Você vai presa de novo.”

- Mais alguma coisa Teresa?
Teresa espera um pouco, procura o que quer dizer, e o que quer esconder.
- Você quer falar alguma coisa dos seus pais? Dizer que como eles são?
- Não. Ela pode procurar eles. Eu não quero que ela venha. E se eu desse um endereço falso pra ela? Posso escrever que fui pra outro pais?
- Acho melhor não mentir nessa carta. Ela vai ser sua despedida.
Despedida. Essa palavra mudou o olhar de Teresa. Um olhar forte, mas calmo tomou conta dela.

“Mãe, você foi uma boa mãe. Cuidou de mim.”

Rosa escreve e olha para Teresa. A menina desviou o olhar.

“Mas não deu certo. Você tentou bastante, mas não deu certo. Tô melhor aqui, e não vou sair. Não venha. Você também vai estar melhor sem mim. Você chorava muito, batia em mim, sumia.
Se tiver um emprego, pode ir sem pensar em mim, sem pedir pra alguém me vigiar.”

- Tá bom?
- Acho que tá. Falta só fechar. Todo texto precisa um encerramento.
- Não sei fazer isso. Ela vai receber?
- Não sei. Ela não aparece no abrigo a muito tempo. Mas eu vou botar num envelope, e se ela aparecer lá, eles entregam.
- Perdem tudo naquele abrigo.
- Mas a carta que eu vou deixar eles não vão perder, eles me conhecem.
- Tem medo da senhora.
- Tem sim – ri Rosa – vamos terminar?

“Se cuida mãe. Eu tô bem. Minha tosse vai passar e eu tenho uma família que vai cuidar de mim agora. Não se preocupe comigo, eu tô bem.
Cuide de você. Ache um emprego melhor do que o do bar, um que você goste. Se cuida. Boa sorte.
Adeus
Sheila.”

Realidade brasileira sobre adoção


A diferença entre o perfil desejado pelos pais adotantes e as crianças disponíveis para serem adotadas

Para cada criança pronta para adoção, há seis pessoas dispostas a acolhê-las na família, mas diferença entre perfil idealizado e o mundo real é obstáculo à redução da enorme fila de espera
Leia a matéria!

“Adoção: única saída para famílias de verdade” foi o tema da Coluna Atitude Adotiva


Sobre o assunto, Marcelo Araújo conversou com a psicóloga clínica e presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, Suzana Schettini.

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Programa Movimento apresenta a coluna Atitude Adotiva


A coluna Atitude Adotiva é uma parceria entre o GEAD e o Grupo de Apoio à Adoção do Paulista (GAAP).
Ouça, clicando na imagem!

Na espera da adoção, crianças e adolescentes enfrentam restrições das famílias e a realidade dos abrigos

http://www.promenino.org.br/noticias/reportagens/na-espera-da-adocao-criancas-e-adolescentes-enfrentam-restricoes-das-familias-e-a-realidade-dos-abrigos-46475
Para cada criança esperando ser adotada, existem seis pretendentes procurando um filho ou uma filha. Ainda assim, cerca de 5,5 mil crianças e adolescentes ainda esperam em abrigos para serem adotados. Questões, como a demora nos processos judiciais e as restrições feitas pelos candidatos a pais, ajudam a explicar o porquê dessa realidade discrepante. No entanto, para essas crianças cada dia a mais longe de um lar é determinante nas suas vidas.
Nos últimos anos, o Poder Judiciário brasileiro vem atuando para diminuir o tempo em que crianças e adolescentes ficam esperando para serem adotados. Desde 2008, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mantém o Cadastro Nacional de Adoção que, pela primeira vez, reúne os dados de todas as crianças disponíveis e dos interessados a adotar. Assim, juízes podem consultar as informações de todo o Brasil e achar perfis compatíveis. “O Cadastro facilitou ao juiz encontrar os pretendentes para a criança cujo processo está com ele. E vice-versa”, explica o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Gabriel da Silveira Matos.
No entanto, muitas vezes é difícil encontrar uma criança que se encaixe nos padrões desejados pelos futuros pais. “Há uma alta exigência dos que querem adotar, a preferência é por meninas brancas de até três anos de idade”, relata o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo. Segundo dados do CNJ, 57% dos candidatos à adoção têm restrição à cor da criança e 40% ao sexo, 80% só querem adotar uma criança e menos de 10% aceitam crianças com mais de cinco anos de idade.
“A realidade dos abrigos é outra”, aponta Alves. Entre as crianças aptas para adoção, 93% têm mais de cinco anos, sendo que mais da metade já passou dos 12 anos. Quanto à cor, 48% das crianças e adolescentes são pardos. Pelos dados do CNJ, é possível constatar ainda que 37% das crianças têm um irmão que, segundo a lei, deve ser adotado junto.
Já Matos constata que, a partir das informações do Cadastro, é possível verificar que ocorreu uma mudança radical no perfil das crianças pretendidas. “Antes havia mais restrições. Tem acontecido muita divulgação do tema e isso vem mudando um pouco a cultura”, complementa.
Outras ações recentes buscam ampliar o rol de pretendentes aptos a adotarem crianças. Em março deste ano, o CNJ passou a permitir que brasileiros e estrangeiros residentes no exterior se inscrevam no Cadastro Nacional de Adoção. Com a medida, espera-se que aumente as possibilidades de adoção de crianças mais velhas e de irmãos. O advogado Alves acredita que a mudança será eficaz. “É uma medida importante, os estrangeiros possuem uma tradição de adotar crianças mais velhas e negras, diferente do padrão de adoção dos brasileiros”.
Alves ressalta ainda que é necessário regulamentar a questão da adoção por casais homossexuais. “Atualmente, não há nada que preveja isso na legislação e acaba dependendo de interpretações dos juízes. Também, há casos de adoção feita não pelo casal e sim por um deles.”
 
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"Adotar duas crianças me fez rejuvenescer", diz psicólogo de 65 anos

O psicólogo e professor Amadeu Roseli Cruz, 65, de Belo Horizonte (MG), levou muito tempo para concretizar o sonho de ser pai, mas conseguiu e não poderia estar mais feliz. Ele e a mulher, Monica, 45, passaram por seis inseminações artificiais que não deram resultado antes de partir para a adoção.
“Após oito anos de casados e muitas tentativas, os filhos não vinham. Então, entramos na fila da adoção e esperamos por quatro anos até chegar a nossa vez”, conta.
Depois disso, por causa da burocracia que envolve o processo, o casal ainda precisou aguardar dois anos para que a adoção se concretizasse. “Conseguir a guarda das duas irmãs, então com dois e três anos, até que foi rápido. Elas vieram para a nossa casa em maio de 2013, mas a adoção saiu somente em junho deste ano”, diz.
Segundo Cruz, a idade avançada não foi empecilho para concretizar os planos do casal. “Nesse caso, a lei faz recomendações, mais do que proibições, o que é o correto. A equipe do juizado faz a avaliações e o juiz decide. Idoso com ótimas condições de saúde, vida saudável e projeto de vida é mais interessante do que jovens adotantes sem qualidade de vida. O fato de o cônjuge ser mais novo ajuda muito também.”
Laisa e Ana Alice, chamadas carinhosamente pelos pais de Lalá e Lili, não tiveram dificuldades de se habituar a nova casa. “A adaptação das meninas foi total e imediata. Elas são muito carentes, querem dar certo na vida e ter uma família.”
E por falar em família, os parentes de Amadeu e Monica adoraram a novidade de ter as crianças por perto e fazem até disputa para ver quem atende melhor e mais rápido às demandas das meninas.
O professor conta que, no começo, a filha mais velha ficou preocupada que, por causa de sua idade, o pai pudesse morrer em breve. “Expliquei que, na verdade, pode-se morrer em qualquer idade.”
Segundo ele, ter 65 anos não interfere em nada nas atividades feitas em conjunto com as crianças. “Fazemos as tarefas da escola, lemos histórias, vemos filmes, passeamos, jogamos, fazemos refeições, viajamos, tudo isso juntos”.
Fora de casa, entretanto, o preconceito é uma constante. “Na escola, os colegas das minhas filhas perguntam frequentemente se sou mesmo pai ou avô. Dou risada, mas elas ficam bravas. Já os flanelinhas, para serem gentis falam: ‘aí, vovô, passeando com as netinhas?’, as meninas se irritam e tentam explicar que sou o pai. Isso é inevitável pelos meus cabelos e barba brancos. Não me incomoda.”
Em sua opinião, a idade não deve ser empecilho à adoção, embora deva ser levada em consideração. “A criança precisa de segurança e proteção. A família extensa pode participar e garantir o conforto da criança. Adotar é uma forma de rejuvenescimento.”
Maravilhado com a mudança positiva que a presença das filhas trouxe à sua vida, o psicólogo diz que recomenda a adoção para todo mundo e espera que a prática seja mais desburocratizada no futuro. “No primeiro mês, perdi três quilos de tanto carregá-las no colo. Minhas refeições ficaram mais saudáveis, movimento-me muito mais e tenho alegrias todos os dias.”
A adoção também uniu o casal. “Nossos projetos de vida foram atualizados.” Outra mudança foi o surgimento de uma preocupação maior com a vida e com a sociedade. “Tenho muito mais cuidado - em função de minhas filhas - em escolher políticos não demagogos para votar, afinal, estou escolhendo o futuro delas.”
fonte: http://estilo.uol.com.br/

A vida depois de… ser tirado dos pais e crescer em um abrigo

http://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/a-vida-depois-de-ser-tirado-dos-pais-e-crescer-em-um-abrigo
Eliel Almeida de Jesus foi tirado dos pais junto com os cinco irmãos quando tinha 6 anos. Passou a vida em um lar para crianças. Hoje, paga o próprio aluguel, ajuda os irmãos e atende noivas em um dos salões de beleza mais caros de Brasília

Leia a reportagem, clicando na imagem!

A Adoção - Por Jadete Calisto

Psicoterapeuta de Casais e Famílias

Segundo o Novo Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa, a palavra adotar, tem o significado de escolher voluntariamente, aceitar, tomar, assumir, receber como filho.
Entretanto a palavra adotar é mais ampla. D’Andrea (2012), Psicoterapeuta Italiano, salienta que “o ato de adotar uma criança significa criar uma continuidade entre passado e presente, integrar as histórias do passado da criança com as do presente, aceitar essa maneira diferente de construir uma família “
Ao serem adotadas, as crianças, sentem medo de não serem aceitas na sua legitimidade, com suas histórias de vida, seu sofrimento, seu nome, a cor de sua pele, seu cabelo, seu jeito de ser, etc.
Além disto, quando a historia de vida pregressa não é levada em conta, não é falada, elas sentem como se uma parte de si não fora aceita ou que uma parte de si está morta.
Quando as crianças ou os adolescentes vão para os abrigos, ao deixarem suas famílias de origem, ficam confusas, não sabendo o que aconteceu, se irão voltar para casa ou não, geralmente este fato acontece com um corte abrupto de vínculos familiares.
Muitas vezes a única coisa que sobrou, foram as lembranças da casa onde elas viveram e que continuam presentes dentro delas.
Se estas crianças ou adolescentes tiveram momentos de tristeza em suas famílias de origem, possivelmente tiveram também tempo de alegrias e cumplicidade com estes pais e irmãos. E o que aconteceu, onde ficaram todas as pessoas com as quais conviveram, sua casa, seus pertences, a escola, professores, colegas de escola, sua rotina, a comida que a mãe fazia e tudo o que fez parte da vida da crianças até então?
Quando estão em abrigos e são adotadas, acontece o mesmo processo, porque possivelmente fizeram vínculos com outras crianças e ou adolescentes dentro do abrigo e também com alguns funcionários.
As rupturas de vínculos tanto da família de origem, quanto quando saem do abrigo, provocam um sofrimento muito grande para a criança ou para o adolescente institucionalizado pois normalmente estes cortes são abruptos.
Quando são adotadas,os vínculos demoram um tempo para serem estabelecidos é preciso que os pais adotivos tenham muita paciência, porque a criança ou o adolescente precisa confiar e ter a certeza de que será aceita, compreendida e não será novamente abandonada.
Outro ponto é a que a criança institucionalizada perdeu a referencia de ser filho e pertencer a uma família. Não sabe qual o seu lugar na hierarquia da família. Na maior parte de sua vida ela precisou defender-se sozinha, não tinha ninguém por ela, então, muitas vezes criam uma hiperdefesa, isto é, respondem de forma agressiva quando sente-se ameaçada.

Aprender a ser filho, aprender a obedecer a uma hierarquia na família, aprender a receber cuidados, aprender a receber afeto, aprender a pertencer a uma família e a formar novos vínculos é algo que demora um tempo, não é do dia para a noite, pois são crianças ou adolescentes que via de regra perderam a confiança nos adultos que “cuidaram” dela até então.
Outro ponto é que muitas crianças acolhidas, apesar de precisar intensamente de contato físico, sentem muita dificuldade em aceitar um abraço um beijo, um afago, porque não sabem muitas vezes o significado destes atos, não sabem diferenciar entre carinho seguro e agressão.
Quando as famílias que adotam não compreendem estes aspectos e não levam em conta estas questões e as referencias entre passado e presente, as adoções não se realizam de forma satisfatória e inconscientemente ou não, as crianças não se sentem compreendidas, e esta pode ser uma das causas das relações começarem a se complicar.
Por este motivo, D’Andrea salienta a importância da continuidade da historia entre passado e presente.
Os pais adotivos devem estar atentos e se comprometer a manter viva a memória da historia de vida passada da criança que faz parte da identidade da mesma.
Os pais adotivos devem conversar com ela sobre sua história de vida, tudo o que aconteceu; contudo é preciso saber a hora de conversar, o que conversar e como conversar, não é preciso ter pressa , é importante esperar o tempo da criança...
Assim como a criança tem uma historia, a família que adota tem a sua história também, portanto é preciso que os pais adotivos, com o tempo, contem para a criança sua historia de vida, suas tristezas pela infertilidade e o quanto estavam esperando por ela.
Filhos adotivos ou biológicos tem uma história que antecede o seu nascimento. Faz parte do desenvolvimento psicológico da criança se perguntar sobre sua origem. Como eu vim ao mundo? Será que sou adotada? Será que faço parte mesmo desta família? Será que os meus pais me amam? Estas são perguntas que permeiam os pensamentos de qualquer criança. Na cabecinha de toda criança acolhida está sempre presente a questão: - “porque meus pais me abandonaram,eles não gostavam de mim?”
Vale a pena salientar, que o processo de adoção, exige grandes mudanças e aprendizado, tanto da família quanto da criança e é vivido por momentos de alegria, mas também envolve sofrimento de ambas as partes, pois é permeado de dúvidas, angústias, ansiedade entre outros sentimentos.
Adotar não compreende apenas aumentar o tamanho da casa, arrumar o espaço físico. Adotar vai muito além disso, compreende o espaço emocional de quem adota, bem como da família extensa, pois muitas vezes a família extensa, ama ou aceita, apenas seu semelhante, aquele que tem o seu sangue, seu sobrenome ou que tem traços fisionômicos parecidos com o da família.

O ato de adotar é semelhante ao namoro, na verdade é um encontro de almas, é o encontro dos olhares.

Sintomas da Adoção Tardia e Adaptação pela Psicóloga Heloisa Sampaio


Crianças que permaneceram em abrigo por um longo período e foram adotadas tardiamente exigem uma maior atenção na fase de ajustamento/adaptação à sua família. A adoção tardia é um conceito usado quando há a adoção de crianças com mais de 3 anos de idade.
Nessa idade as crianças já tem uma independência relativa ao de um bebê, muitas delas já consegue se alimentar, se locomover, falar com maior destreza e possivelmente já não usam mais fraldas. Muitas vezes essa relativa autonomia da criança alimenta o ideal de alguns pretendentes à adoção que desejam adotar uma criança que dê menos “trabalho” que um bebê. Esse é um ideal falho, uma vez que toda criança dá “trabalho”, independente da sua idade.

Longe de universalizar as adoções, pois sem dúvida, cada história de adoção é ímpar, única, singular, e bela. E também longe de romantizá-la (assim como a maternidade biológica), pois seria um desserviço, meu, aos pais, o processo de adaptação da criança adotada tardiamente é trabalhoso sim, exige um exalar de amor incondicional à uma pessoinha que com o pouco tempo de vida que tem, convive com a dor da angústia, da separação, da negligência, da desproteção, do desamor, e mesmo que ela esteja desejosa de ter uma família, ela irá testá-la para confirmar, se pode “usá-la” como um pote onde ela despejará seu amor, seu carinho, mas também seus medos, raivas, angústias, tristezas e incertezas.

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