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Reunião do mês

Dia: 16/10/2015

Trabalharemos o texto abaixo:



O FILHO ADOTIVO E A CONSTRUÇÃO DA FAMILIA

 Por Renata Pauliv de Souza Casanova



Ser filho adotivo é pertencer a um mundo de expectativas, confrontos entre realidade e fantasia, dificuldades, trabalho árduo, persistência, baseado em amor, entrega, doação e dedicação.
Quando pequenos ou ainda bebês, os filhos e a nova família passem por um período de adaptação, questões físicas e emocionais, das mais simples às mais trabalhosas e exaustivas, para os pais, como levantar várias vezes à noite, dar banho, colocar para dormir, fazer e dar as refeições à criança.
A casa já não é mais a mesma. Novas rotinas e uma nova geografia se estabelecem. Há brinquedos espalhados pelo chão, repetição de filmes infantis, risos, gritos, choro e provocações aos limites e regras, que são constantes. É a construção de um pequeno ser humano que está acontecendo.
Parece fácil, mas não é. Os adultos precisam mudar seus hábitos em benefício das necessidades do filho. Não raras vezes, a vida social do casal é deixada para depois. Muitos adultos têm a fantasia de que é a criança que deve se adaptar totalmente à sua vida cotidiana.
No final, são eles que se organizam em função das refeições, da hora de dormir, de ir levar e buscar na escola, enfrentar comportamentos de birra, acesso de raiva e frustração, hora de urinar e o insistente “xixi” na cama. Infelizmente, para alguns, o sonho se transforma em pesadelo. Não é fácil abrir mão da própria vida – mesmo que um pouco e por tempo determinado – em função de outra pessoa. Assim, muitos passam a desgostar do exercício da paternidade/maternidade, e culpam os filhos.
Quando a criança é mais crescida, exige-se dos novos pais muito mais disponibilidade de tempo, de afeto, de trabalho diário. Não é fácil ser filho numa família nova, como não é fácil ser pais de crianças maiores.
A história anterior existe. Hábitos de comportamentos, horários, dificuldades fonoaudiológicas e/ou de aprendizado, vivências emocionais por vezes difíceis e dolorosas; e, até mesmo, saudade da família de origem, associada a medo, raiva, angústia, ressentimento. Mas, acima de tudo, a necessidade de ser aceito pelo que se é, por quem se é – não por aquilo que os outros esperam.
Isso é tão forte para alguns que, em certas situações, o filho se torna o que os pais desejam. Acaba se despersonalizando, deixando de ser coerente consigo mesmo. Então, surge uma dúvida quase sempre presente: como lidar com o confronto entre a realidade que tenho com este que agora chamo de filho e as expectativas que criei acerca da forma de ser de um filho idealizado?
A resposta não é uma fórmula exata ou alguma cartilha reta. É a oportunidade e o momento crucial para a concretização da verdadeira adoção que o acolhimento familiar exige e que será fundamental. Tal acolhimento não se dará nas primeiras horas, dias ou semanas. Para que a tão sonhada adoção seja plena, tal trabalho será diário.
Lapidar um ser que não conviveu desde tenra idade no seio familiar leva muito tempo. Anos. É para desanimar? Não! É para refletir se é isso que realmente se deseja. Dedicação, disponibilidade para olhar e ver além do conflito – podendo assim identificar o que é essencial para o seu infanto juvenil familiar; como dar amor com limites coerentes e firmes; mostrar que todos formam uma família e lutam por ela. Precisa-se lidar com o que o adulto quer que a criança/adolescente seja e que ainda não o é. Ou então, que não será.
Em geral, as crianças que passam por instituições de acolhimento tiveram um início de vida difícil, com privações de diversas naturezas. Respeite isso. Entenda isso. É preciso ter cautela quanto à expectativa que se cria sobre o afeto, confiança, aprendizado, respeito e vínculo.
Os valores, virtudes e qualidades que se esperam que o filho tenha serão vistos no comportamento diário do convívio familiar. As crianças aprendem muito mais com exemplos do que com palavras.
Crianças e adolescentes também fantasiam e idealizam seus futuros pais – que são sempre bonzinhos e bonitos, brincam, levam para passear, não cobram nada. Em algumas vezes, não entendem o porquê do afastamento da família de origem. Alguns têm dúvidas sobre a adoção, outros, medo de decepcionar os novos pais.
Além dessas observações inter familiares, existem as questões sociais, com seus preconceitos e dissimulações. Em geral, espera-se que a adoção não dê certo, que haja problemas, ingratidão.
Essas situações, mesmo que disfarçadas, são percebidas pelas crianças. Por isso, cabe ressaltar a importância de se preparar a família, os amigos, os vizinhos e todos aqueles que terão contato direto com o filho.
Respeitar o passado, construir o futuro com base num presente sólido. Ser melhor a cada dia para esse filho que chegou, para si mesmo, para o (a) companheiro (a) de vida. Buscar ajuda assim que perceber alguma dificuldade, sem perder o tempo do filho. Quanto antes, melhor. Para todos.
EU VIVI A ADOÇÃO. No meu caso, cheguei ainda bebê. Sempre soube da adoção e, por isso, ela foi (e é) algo natural. Vivenciei, durante toda minha vida, a Verdade e a Realidade da adoção.
Não me lembro de muitas situações de preconceito, mas elas ocorreram. Nessas vivências desagradáveis, percebi a importância de saber da minha história e de que à adoção faz parte do processo da minha vida. Que seria do vinculo com meus pais se eles tivessem mentido ou omitido essa parte da nossa história familiar?
Na adolescência, quis saber os motivos da doação, como seria fisicamente a pessoa que me gerou, se eu era parecida com ela, que sentimentos teve para comigo – se é que os teve.
Por causa do curso de Pretendentes à Adoção no qual trabalho, tenho tido vontade de buscar meu processo para saber como ele é. Dele, a única notícia que tenho é o nome completo de minha genitora. E essa informação me foi dada pela minha mãe.
Em relação à saúde, criei um jeito simples de lidar com ela. Aos médicos, digo que sou filha adotiva e que não conheço minha história genética. Por isso, eles podem me colocar nos grupos de risco e, com o passar do tempo, descobriremos se pertenço a algum deles. Simples assim. Como eu sou.
Quanto à minha irmã, também adotiva, só posso dizer que ela é muito especial e que foi fonte de inspiração para muitos momentos. Tudo o que desejo a ela é que sempre seja feliz em suas escolhas de vida. Graças a uma dessas opções, tenho sobrinhas – por adoção – por quem nutro grande amor.
Essa cumplicidade, apoio, amor, carinho e dedicação de meus pais na questão da adoção – e da vida – os tornaram as pessoas mais importantes em minha existência. Graças a eles, ao trabalho diário ao longo de anos, é que sou quem sou: uma pessoa feliz como filha, como mãe, como esposa e como ser humano. Deixo minha mensagem final
Para ser pai (adotivo ou não), não basta ter vontade. É preciso desejo, competência, amor, superação.

Para ser pai, é preciso saber que temos que nos tornarmos pessoas melhores. Todos os dias. Nossos filhos merecem o nosso melhor, o que temos e o que somos de melhor.

Fonte: Revista Semente (www.projetosementejundiai.org.br)


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