Campanha em SC incentiva adoção de crianças com mais de três anos

Já faz mais de dez anos que o Jornal Nacional reserva um tempo para valorizar a ação de pessoas que ajudam outras pessoas. E você reconhece essas reportagens logo no início - porque elas sempre começam com uma marca forte, que tem as cores da bandeira do Brasil e uma frase musical do nosso hino.
A edição desta terça-feira (10) traz, mais uma vez, um exemplo desse Brasil bonito. Em Santa Catarina, a gente mostra o resultado de uma campanha que incentiva casais a adotarem crianças mais velhas e adolescentes.
Quando Mariá viu Juliana pela primeira vez ficou encantada. A menina tinha seis anos e morava num abrigo.  “Foi amor à primeira vista. Eu senti que aquela era a criança que eu queria adotar”, conta a professora Mariá Nascimento Pereira.
Mas aí veio a surpresa. “A Juliana correu para o meu colo e disse: ‘mas tem um problema’. Eu perguntei: qual é ? ‘tia, eu tenho mais três irmãs’", lembra.
O marido levou um susto. Fabio e Mariá já tinham dois filhos biológicos.
“Triplicar o time não é fácil, mas nós decidimos encarar”, afirma o professor Fábio Nascimento Pereira.
Hoje a família não tem dúvidas: o que triplicou foi o amor entre eles.
“Eu sinto vontade de falar para todo mundo que eu tenho a melhor família do mundo, a mais feliz, a mais alegre, a melhor família”, diz Mariá.
Histórias como esta são raras no Brasil. Cerca de 80% das famílias que estão na fila de espera para "adoção" buscam meninas de no máximo três anos e sem irmãos.
O desejo de encontrar uma criança "ideal" afasta os pais dos possíveis filhos adotivos. Para reduzir esta distância, Santa Catarina criou a campanha laços de amor.
Os vídeos produzidos e exibidos no estado incentivam a adoção de crianças que já passaram dos três anos de idade.
“Os pais imaginam que essas crianças que sofreram muito na sua vida até então, tenham numa nova vida marcas do passado. E isso, muitas vezes, preocupa e assusta. As experiências práticas mostram o contrário, mostram crianças sedentas de carinho que retribuem por dez aquilo que recebem dos pais adotivo”, explica o Deputado Gelson Merísio.
Gabriel já tinha sete anos e poucas esperanças de ser adotado quando Iria abriu os braços para ele.
“Foi crescendo o nosso amor, a nossa simpatia, a nossa afinidade e foi assim. Eu estou cuidando do Gabriel, ele está cuidando de mim, e nós somos felizes juntos porque é um momento especial para nós dois”, afirma a aposentada Iria Guterrez.
Amparadas, as crianças ganham confiança para construir o futuro: “Eu estou estudando muito porque eu quero ser juíza e o meu sonho é ajudar outras crianças a serem adotadas também”, diz Ana Claudia, de 15 anos.
“Não precisa esperar um filho, mas sim conhecer um filho”, acredita Juliana Nascimento Pereira, de 13 anos.
Essa campanha envolve o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, a Ordem dos Advogados e a Assembléia Legislativa de Santa Catarina.

Professora destaca importancia da adoção conciente


Presidente do Grupo de Apoio Adoção Consciente (GAACO), 
professora Hália Pauliv de Souza, fala sobre a importância da adoção.

A professora e escritora Hália Pauliv de Souza, representante do Grupo de Apoio Adoção Consciente (GAACO), participou da sessão plenária da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (23), para se manifestar durante o Grande Expediente sobre a Semana Estadual da Adoção de Crianças e Adolescentes e também para destacar a importância dos debates e palestras que marcam as comemorações do Dia Nacional da Adoção, que acontece nesta sexta-feira (25).

“Adoption (adotar) significa escolher. Não é escolher um filho, é escolher a atitude de adotar e exercitar a maternidade e a paternidade afetiva de forma consciente e responsável”, declarou em seu pronunciamento. Hália participou da sessão a convite do deputado Dr. Batista (PMN), que enalteceu o trabalho desenvolvido pela entidade.

A professora fez ainda uma breve explanação sobre a história do Grupo de Apoio Adoção Consciente, que iniciou as atividades como uma pequena equipe de apoio aos pretendentes à adoção. Segundo Hália, o objetivo do GAACO é orientar, apoiar e contribuir na preparação dos pretendentes à adoção para que exerçam a maternidade/paternidade afetiva de forma feliz e consciente, desejando que crianças e adolescentes tenham o direito de viver numa família. Nos cursos promovidos pela equipe, formada por voluntários de várias áreas, as pessoas interessadas recebem inúmeras informações técnicas, jurídicas, psicológicas e emocionais.
Mãe de duas filhas adotivas, a professora e escritora é autora de vários livros sobre o tema, entre eles “Adoção é Doação”. Nesta publicação ela mostra que a adoção não pode ser um ato meramente impulsivo, alertando para o significado e a importância deste grande gesto.

Mais informações sobre o trabalho do GAACO podem ser obtidas pelo site www.adocaoconsciente.com.br

Casal viciado perde o pátrio poder e filha segue para adoção

Santa Catarina – O vício do crack e do álcool levou um casal à perda do pátrio poder de sua filha de um ano de idade. A decisão, da 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça, confirmou sentença da Comarca da Capital que buscou resguardar o interesse e formação da criança. O casal era acompanhado pelo Conselho Tutelar desde 2008. O bebê foi encaminhado ao abrigo após ser encontrado numa barraca de área invadida, onde os pais moravam e dependiam do auxílio de vizinhos para se manter.
Na apelação ao Tribunal, o casal afirmou que por serem pessoas humildes, de mínima instrução, acreditaram que durante o trâmite da ação, a filha estaria provisoriamente abrigada, até que se restabelecesse a situação financeira da família. Disseram, ainda, realizar visitas regulares à filha, até a proibição judicial, quando deixaram de ter contato com ela.
Para o relator, desembargador substituto Gilberto Gomes de Oliveira, porém, os dados do processo não comprovaram empenho dos pais em dar assistência à menina. Ele aponta a quebra reiterada de deveres de segurança, saúde e dignidade, por negligência trazidas na ação inicial, em especial o uso de crack pelo casal. Há informação, inclusive, de registro de overdose por parte do pai, o que colocava o bebê em “condição de extrema vulnerabilidade”.
“Voltando a análise dos fatos para se resguardar, acima de tudo, os interesses da criança e considerando que ela só tem um ano de idade, resta cristalino que o encaminhamento da criança a uma família substituta é o meio mais adequado para garantir que se torne uma criança saudável, bem instruída e amada”, finaliza Gomes de Oliveira.
Fonte: http://www.ilustrado.com.br