Adoção é para sempre. Dá para escolher mas não dá para devolver

O assunto adoção deve ser pensado, analisado e discutido pela sociedade. Algumas matérias sobre adoção têm sido publicadas recentemente em razão do lançamento, ainda em fase inicial, do Cadastro Nacional de Adoção, do Governo Federal e dos primeiros dados apresentados pelas Varas de Justiça de diversos estados, sobre crianças e adolescentes em abrigos e disponibilidade para adoção.
Os principais dados mostram o que já sabíamos: há muito mais pretendentes à adoção do que crianças e adolescentes aptas a serem adotadas. Também não é novidade o fato de a maioria dos pais candidatos desejarem crianças de baixa idade. A esse respeito é importante destacar que a maioria dos casais candidatos à adoção no Brasil desejariam, se possível fosse, ter um ou mais filhos biológicos e mantiverem a expectativa de que seus filhos nasceriam perfeitos e com características semelhantes às suas, pai, mãe, familiares.
Aliás, é conhecido por todos os pediatras que a primeira pergunta que os pais fazem quando vêem seu bebê pela primeira vez é: "doutor, ele é todo normal?" e a segunda é "com quem ele parece?", iniciando-se a partir dessa pergunta uma análise dos traços do bebê por toda a família presente. Acho que isso é normal. Assim são idealizados os filhos.
E o que vem ocorrendo? Neste instante está se criando um clima de desaprovação aos pais candidatos à adoção chegando quase a uma responsabilização pela realidade dos abrigos lotados de crianças. Em O Globo, a matéria a respeito do tema é "Exigência dos pais explica espera por adoção"e "Cadastro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que famílias preferem crianças com perfil que destoa da realidade dos abrigos". A maioria dos pais candidatos à adoção querem filhos de baixa idade e com alguns traços semelhantes aos seus. Isto é a realidade e é normal que assim seja.
Adoção altruísticas são desejáveis, mas não é o usual no Brasil. E sempre, a esse respeito, é bom lembrar: adoção é para sempre. A adoção é uma medida muito importante a ser tomada e que repercutirá para toda a vida nos filhos, nos pais e em toda a família. 
Fonte: http://www.observatoriodainfancia.com.br/

Mãe por adoção



Eu não posso fazer o tempo voltar,
Mas prometo meus dias lhe dedicar.

Eu não posso fingir que abusos você não sofreu,
Mas prometo amenizar tudo o que mais doeu.

Eu não posso toda angústia que sentiu anular,
Mas prometo ficar ao seu lado neste recomeçar.

Eu não posso conter as lágrimas que tanto derramou,
Mas prometo que, na alegria ou dor, com você estou.

Eu não posso seus piores pesadelos evitar,
Mas prometo seus melhores sonhos alimentar.

Eu não posso eliminar sua rejeição vivida,
Mas prometo que será a melhor parte da minha vida.

Eu não posso modificar a mãe que tanto machucou,
Mas prometo ser a mãe que mais lhe amou.

Marta Wiering Yamaoka – 08/03/2012