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Abrigos em Movimento

A Coleção, organizada pelo Neca e pelo Instituto Fazendo História, reúne relatos de experiências, textos de orientação e reflexão, estudos de caso e depoimentos para a disseminação no país da cultura dos direitos da criança e
do adolescente à convivência familiar e comunitária.
Composta por 7 livros e 2 DVDs, contribui com diversas perspectivas aos profissionais que trabalham nas políticas e programas de proteção especial e que buscam a melhoria do atendimento e a concretização das mudanças nos serviços de acolhimento institucional indicadas pelo Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.

Recomendo o Documentário 33 de Kiko Goifman

À procura da mãe biológica
Por Fernanda Cirenza
Ilustração: Elizabeth Tognato


O cineasta e antropólogo Kiko Goifman, 35 anos, foi adotado ao nascer em Belo Horizonte. Cresceu sabendo que Berta e Jayme não são seus pais biológicos. Irmão de Márcia, adotada três anos antes, Kiko chegou à família de maneira ilegal: não há documentos que atestem a entrega ou dêem pistas sobre o seu passado. O enredo real levou Kiko a produzir, dois anos atrás, o seu primeiro longa-metragem, '33', em que conta a procura pela mãe biológica que nunca encontrou.
Marie Claire O filme expõe toda a sua história. Não ficou preocupado?
Kiko Goifman
Há algum tempo pensava em produzir um documentário sobre adoção. Poderia ter feito um filme sobre o assunto de várias maneiras. Uma delas seria entrevistar vários adotados. Mas achei isso chato. O '33' é um projeto que faz todo o sentido dentro dos meus projetos. Trabalho há dez anos pesquisando o tema violência [Kiko é autor de livros sobre prisão e diretor dos documentários 'Tereza', sobre o cotidiano de detentos, e 'Morte Densa', em que apresenta assassinos que mataram uma única vez], e o '33' é um filme de autoviolência.

MC Por quê?
KG Por causa da exposição da história que foi violenta para mim, para a minha mãe. O filme escancarou nossas vidas. Todo o processo foi muito doloroso e eu não queria machucar a minha mãe. Não estava procurando ninguém para substituí-la. Era uma curiosid ade, queria saber sobre a minha origem. Isso foi difícil. Durante a busca, o desejo de encontrar essa mulher oscilava muito. Também tive medo de encontrá-la. E se isso acontecesse? Determinar o prazo de 33 dias para encontrá-la foi fundamental porque, já no primeiro dia, pensava: 'Bom, só faltam 32'.

'O meu desejo de achá-la oscilava muito. Tive medo. E se isso realmente acontecesse?'

MC Quando você soube que foi adotado?
KG Sempre soube, meus pais nunca esconderam. Até por isso decidi buscar a minha mãe biológica com a minha mãe viva. É quase uma devolução ética que eu tinha com ela. É comum, até em filmes de ficção, que a procura pela mãe biológica comece com o enterro dos pais adotivos. Quis mexer no meu passado com pelo menos minha mãe viva [o pai de Kiko morreu em 1998].

MC Vê problemas em ser adotado?
KG Não, caí numa família ótima, tive muita sorte. Tenho uma relação de amor sólida e recíproca com a minha família, senão não faria esse filme. Também nunca escondi que fui adotado. Ao contrário, quando era criança sempre falava da minha adoção nos momentos mais inesperados. Devia ter uns 7 anos quando apostei um brinquedo com um primo da minha idade que eu tinha sido adotado. Ele foi correndo perguntar para a minha mãe, que confirmou. Era engraçado nas aulas de genética, quando a professora mandava a gente observar o lóbulo da orelha dos pais. Tenho o lóbulo grudado, que é raro, e, claro, meus pais têm o lóbulo solto. Era, no mínimo, esquisito me deparar com essas coisas.

MC Nunca te atormentou não saber nada sobre a sua mãe biológica?
KG
Claro que sim, não conseguiria ser tão frio. No filme, eu estava de fato procurando essa mulher. Precisava ter uma sinopse dela, saber três ou quatro linhas sobre ela. Conceição, uma pessoa que trabalha há anos na casa de minha mãe, falava que a minha mãe biológica era muito jovem quando me teve, tinha nascido no interior de Minas e ido para Belo Horizonte para me ter. Dizia que ela estava na hora em que fui adotado. Essa imagem da Conceição alimentou toda a minha infância e adolescência. Quando fui fazer o filme comecei a questionar o que ela falava. Posso ser qualquer coisa, fruto de estupro, filho da puta, sei lá.

MC Sente raiva da sua mãe biológica?
KG Não, nunca tive. Fico imaginando que, se fosse hoje, provavelmente eu teria sido abortado. E não tenho o menor problema com isso, não sou contra o aborto . Mas, se eu não tivesse nascido, nada disso estaria acontecendo.

'Eu não tenho problemas por ser adotado. Na verdade, tive muita sorte em cair numa família ótima'

MC Não carrega o fantasma da rejeição?
KG As pessoas acham que a adoção perturba o tempo todo. Mas, para mim, o fato de ter sido rejeitado em algum momento não me perturba. É óbvio que alguma situação de rejeição aconteceu, mas não me criou dramas psicológicos. Tenho um filho de 10 meses e, quando soube que minha mulher estava grávida, quis que ela tivesse a melhor gravidez do mundo. E acabei pensando na minha gestação. Talvez a minha mãe biológica não tenha tido uma gravidez bacana.

MC E o seu pai biológico?
KG Não sei, eu acho que nunca tive curiosidade de saber quem é ele. Não sei explicar muito isso. Fico pensando que, se ele tivesse apoiado a gravidez, provavelmente eu teria ficado com a minha família de origem. É difícil pensar nele como um cara presente. É mais fácil imaginar que ela foi uma mulher fragilizada diante da situação.

Kiko Goifman, 35 anos, cineasta e antropólogo

Interessados em adotar são 6 vezes mais que jovens disponíveis


O número de pessoas interessadas em adotar no Brasil é quase seis vezes maior que o de crianças e adolescentes disponíveis.
É que revela o último levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA).
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável pelo cadastro, o número de pretendentes atualmente chega a 26.694, enquanto o número de crianças e jovens aptos a serem adotados é de 4.427.
A preferência, entre os interessados, por crianças e adolescentes brancos é a maioria no cadastro, e responde por quase metade dos interessados, num total de 10.129 deles. Outros 1.574 adotariam somente pardos e 579 aceitariam só negros.
O cadastro mostra ainda o desinteresse dos pretendentes de adotar crianças e jovens com irmãos. Do total de interessados, 21.978 (ou 82,37%) disseram que não fariam esse tipo de adoção. Outros 21.376 (ou 80,8%), por sua vez, afirmaram que não aceitariam sequer adotar gêmeos.
 A maior parte das crianças e adolescentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, entretanto, possui irmãos. Dos 4.427, 3.352 (75,72%) respondem por esse grupo. Jovens e crianças com irmãos inscritos no CNA somam 1.379 (ou 31,15%).

AGORA DIREITO DE VISITA E GUARDA TAMBÉM PARA OS AVÓS

Data: 30.03.11

Foi publicada ontem (29), a Lei nº 12.398 que altera o Código Civil e o Código de Processo Civil para estender aos avós o direito de visita e a guarda dos netos. Conforme a nova norma sancionada pela Presidência da República, o juiz vai definir os critérios de visita, observando sempre o interesse da criança e do adolescente.
Com a alteração, a redação do artigo 1.589 do Código Civil passa a ser: a seguinte: "o pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação.
Parágrafo único. O direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente".
O artigo 888, inciso VII, do CPC foi alterado para fazer constar o teor "a guarda e a educação dos filhos, regulado o direito de visita que, no interesse da criança ou do adolescente, pode, a critério do juiz, ser extensivo a cada um dos avós".
Veja o inteiro teor da lei:
LEI Nº 12.398, DE 28 DE MARÇO DE 2011.
Acrescenta parágrafo único ao art. 1.589 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, e dá nova redação ao inciso VII do art. 888 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, para estender aos avós o direito de visita aos netos.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O art. 1.589 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

 “Art. 1.589. Parágrafo único. O direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente.”
Art. 2o - O inciso VII do art. 888 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro  de 1973 - Código de Processo Civil, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 888. VII — a guarda e a educação dos filhos, regulado o direito de visita que, no interesse da criança ou do adolescente, pode, a critério do juiz, ser extensivo a cada um dos avós;”
Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 28 de março de 2011; 190o da Independência e 123o da
República.
DILMA ROUSSEFF