Emoção - Desafios Felizes da Adoção Tardia

De um lado estão mais de 7 mil crianças cadastradas, prontas para serem adotadas no Brasil. Do outro, 30 mil candidatos a pais adotivos. Pela lógica sobrariam pais, mas a conta não é tão simples assim. Para a presidente da Organização Não Governamental (ONG) Projeto Acolher, do Rio Grande do Sul, Sylvia Nabinger, o grande problema da adoção no Brasil é a disparidade entre candidatos e crianças disponíveis, isso porque muitas vezes ou os candidatos escolhem perfis indisponíveis, ou optam por crianças menores de dois anos de idade.
Mas a história de Luciano, 29 anos e Mateus, 7 anos, contradiz essa tese. “Me dá um abraço e um beijo prá eu nunca mais esquecer”. Essa frase foi um divisor de águas em sua vida. A emoção de ouvi-la trouxe uma certeza anunciada: ele queria lutar pela adoção de Mateus. Após conhecer o menino, Luciano descobriu que a felicidade em adotar uma criança com idade mais avançada seria a mesma. Ele faz parte do grupo de 27,21 por cento de pessoas que estão ajudando a mudar o perfil dos candidatos a adoção no Ceará. São pessoas que escolheram abraçar a adoção tardia, ou seja, a adoção de uma criança maior de dois anos de idade. Os dados são do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), ferramenta que tem como objetivo auxiliar juízes das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção.
É por isso que hoje Mateus é o responsável por permitir a Luciano quebrar verdadeiros tabus. “Eu realmente queria adotar um bebê, mas depois que conheci o Mateus tudo mudou. Nós fomos ficando cada vez mais próximos, me envolvi muito com a causa dele e passei a realmente amá-lo”, disse.
A história que uniu Luciano e Mateus começou há quase um ano. Em fevereiro de 2010, ele deu o primeiro passo para o processo de adoção, apresentando a documentação necessária para efetivar a inscrição no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), no Fórum Clóvis Beviláqua. Até então, nos planos, o desejo por uma criança de até dois anos de idade.
Luciano mal sabia que ainda iria mudar muitos conceitos. “Por ironia do destino fui levado até ao abrigo Lar Batista, e lá conheci o Mateus. Na primeira visita fiquei sem palavras, mas sabia que sairia de lá outra pessoa e foi isso que realmente aconteceu”. Ele lembra que ao entrar, as crianças estavam brincando e de repente todas foram em sua direção. “Eles vieram logo me beijar, me abraçar, fiquei surpreso. Toda aquela situação mexeu muito comigo, pois sem pedir nada em troca eu estava ali, recebendo todo o carinho daquelas crianças que nem me conheciam”. No meio delas havia um menino, Mateus, o único que não permitiu aproximação, ficou apenas observando, de longe, calado.
As visitas ao abrigo ficaram mais freqüentes e a proximidade com Mateus também. “A convivência com Mateus foi crescendo e eu fui começando a quebrar o mito de que o ideal seria uma criança de dois anos, então decidi alterar meu cadastro de adoção e, a princípio estender a idade para quatro anos”.
Com o decorrer dos dias, o envolvimento com o menino só crescia. “O abrigo foi virando um preenchimento para minha vida”. Entre uma brincadeira e outra, Luciano foi aos poucos descobrindo que tinha muito mais em comum com Mateus do que imaginava. E mais uma vez foi ao setor de cadastro no Fórum e alterou novamente seus dados, desta vez para a adoção de uma criança de seis anos. “Eu descobri que o processo de adoção vai muito além de idade. É uma criança que está te pedindo amor, atenção, tempo. Depois passei a perceber que não temos que escolher, somos escolhidos”, disse.
Não temos que escolher, somos escolhidos
Luciano contou que cada palavra, cada gesto, cada atitude de Mateus os aproximava ainda mais. “Foi ai que voltei novamente ao Fórum e fui buscar informações sobre o que poderia fazer para adotar o Mateus. Comuniquei ao setor de cadastro que não estava mais apto a receber outra criança e que iria esperar por ele”.
No Brasil, o processo de adoção é um caminho longo e árduo, mas apesar dos percalços Luciano não pensou em desistir. Uma das maiores dificuldades foi a morosidade do processo. Segundo a Nova Lei de Adoção, a prioridade é manter a criança em sua família de origem e quando não for possível tentar mantê-la com parentes mais próximos. “Essa questão foi muito difícil, pois a família nunca procurou o Mateus no abrigo. Quantas veze eu chorei sozinho dentro do meu carro quando me deparava com a dificuldade, com a burocracia. O meu maior medo era não ser a primeira pessoa da fila apta a adotá-lo, mas procurava pensar que o não é algo que já vem de graça da vida, e o sim é uma conquista e eu queria lutar por ela”. A cada dia que se passava o vínculo entre os dois só crescia e o menino sinalizava que também havia feito a sua escolha”.
Após nove meses de muita batalha, a Justiça concedeu a Luciano a guarda provisória de Mateus por seis meses. Emocionado, ele não esconde a transformação que a adoção causou na sua vida. “Com o Mateus eu aprendi a enxergar o mundo sob outra ótica. Ele me fez ver a vida completamente diferente”. No novo lar, um quarto decorado com a figura do homem aranha, personagem preferido do menino o esperava. A bicicleta que até então poderia ser apenas um sonho, agora faz parte da nova realidade. Uma casa, um quintal, uma bola para chutar, uma árvore de Natal para decorar e, uma família.
Mateus é um garoto de poucas palavras, mas nos olhos do menino a felicidade é notável. A cada sorriso tímido, a cada gesto sutil percebe-se que agora ele definitivamente se sente em casa. Aos poucos, ele foi conquistando toda a família de Luciano. Entre os novos familiares, além de tios e primos, uma é essencialmente especial: “a vovó” disse baixinho ao responder sobre de quem gostava mais.
Para Luciano, a satisfação em tê-lo como filho é maior que qualquer outro sentimento já vivido. “Pelo Mateus eu me movi. Eu tinha um desejo muito grande de que ele estivesse comigo até o dia 25 de dezembro. Nos últimos cinco meses tinha certeza absoluta que a criança que tinha me escolhido era o Mateus e que a minha vida estava totalmente ligada à dele”. Agora, mais do que nunca.
Fonte: http://www.oestadoce.com.br

O Filho Adotivo do Carpinteiro

Para se anunciar ao mundo Deus não construiu palácios e tampouco se fez representar por um rei poderoso e rico. Preferiu a candura de uma criança indefesa, para ser criada, amada e instruída por uma família humana. O plano divino para se anunciar ao mundo passou por uma mãe e um pai comuns, escolhidos no meio do povo.
Nesta época do Natal, para além dos presentes, das celebrações e dos banquetes, estamos unidos em torno desta criança, nascida sem conforto, em meio a um estábulo. Sua vocação já se revelava nesta cena, uma família abrigada precariamente, cercada de animais, para o nascimento daquele que seria o revelador de uma nova aliança de caridade e amor. Entre humildes pastores e reis do oriente, estava o Menino, a usufruir de sua tenra existência.
A escolha de Deus por este casal, um carpinteiro e sua noiva quase menina, demonstra que, para se criar uma criança, ainda que esta seja o próprio Deus feito humano, não é necessário que haja condições financeiras acima da média ou uma instrução erudita. O condimento para se fazer uma criança feliz e colaborar para sua formação pessoal é o afeto. O afeto é o bálsamo que salva o homem de sua barbárie histórica. O afeto pode ser notado quando estão presentes os atos com ele coerentes, praticados por quem o sente. O cuidado é o corpo de delito do afeto.
Os que militam para que as crianças tenham famílias de verdade, com direito a este afeto salvador e formador, lutam pela reintegração familiar e pela adoção de crianças e adolescentes que vivem, aos milhares, em instituições. A face oculta do abandono, varrida para de baixo do tapete, não tem nenhuma afinidade com o espírito natalino.
Este estado de coisas se mantém em função de preconceitos e interpretação demagógicas da lei, que transformam as crianças em coisas e atribuem sua propriedade à família biológica. Quando há afeto real é viável a convivência da criança com sua família de origem. Mas quando não há, e muitas vezes não há, deve-se optar pela adoção, em curto espaço de tempo, para traumas não se multipliquem com o abandono prolongado e doloroso.
Destarte, o que resta é proclamar o amor de José e Maria por aquela criança. O Filho de Deus foi filho adotivo, unigênito. Um filho adotivo para transformar a humanidade e proclamar o amor como forma de vida. Um filho adotivo para mostrar que o que realmente importa é o amor que se sente, é o encontro de almas. Um filho adotivo que só precisou de uma família afetiva e cuidadosa para que se desabrochasse em luz divina sobre a humanidade.
Quando, ainda nos dias de hoje, se ouve alguma dúvida sobre o amor que se pode sentir por um filho adotivo, repetida através dos tempos de forma insistente, pode-se perceber o quanto as pessoas se apegam ao fator biológico como pressuposto do afeto paternal. É como só se fosse possível amar quem deriva do sêmen e do óvulo, da nossa porção animal, limitada, fraca e finita. No fundo, trata-se de amor a si próprio mal disfarçado, que deseja ver perpetuadas no filho as características do próprio pai.
Neste Natal essa reflexão é necessária. Deus, em sua sabedoria infinita, soube escolher pai e mãe para Jesus. Escolheu o afeto e o cuidado, o amor incondicional. Preferiu achar estas qualidades entre pessoas humildes, demonstrando que o que importa é a atitude adotiva amorosa. É tempo de esperança: que esta atitude se apodere dos corações e mentes de todas as pessoas. Que esta adoção de Jesus possa inspirar a adoção de todas as crianças que não têm família.
Sávio Bittencourt
Fonte: http://www.oestadoce.com.br

Projeto Padrinho

Em 26 de Junho de 2000 foi lançado o Projeto Padrinho, uma iniciativa ligada à 1ª Vara da Infância e Juventude local, chamando a sociedade a aproximar-se da realidade das crianças e famílias carentes de Campo Grande, para com isso, sensibilizá-las a diminuir o sofrimento destas crianças e adolescentes.

A Ajuda de Todos Traz Resultados
Centenas de crianças que foram levadas para abrigos devida a má condição vivida em seus lares, já estão de volta ás suas famílias por que tiveram ajuda de mais padrinhos doadores de bens e serviços (ajuda financeira ou material); Alguns desses padrinhos mantêm contato com a família, tornando-se padrinhos afetivos, pais levam a criança para passear, lazer, etc.
Adolescentes e crianças que não podiam ficar com as suas famílias são recebidas em casa pelas famílias acolhedoras que as sustentam e dão todos os cuidados no decurso do processo, durante, certo tempo. Crianças abrigadas em instituições contam com a companhia de padrinhos afetivos que passam junto a elas finais de semana, férias e épocas festivas, colaborando também com material escolar e qualquer necessidade extra da criança.
Através da 1ª Vara da Infância e Juventude, as crianças que sofrem abusos diversos dentro de suas famílias ou cujas famílias não possuem condições suficientes para sustentá-las, são levadas para abrigos.
Durante esse tempo, através de acompanhamento de profissionais como psicólogos, assistentes sociais e outros, estas famílias recebem cuidados e apoio para poderem, num futuro próximo, receber as suas crianças de volta.

Tipos de apadrinhamento
Afetivo: passeam com as crianças e adolescentes nos finais de semana.
Financeiro: auxilia com uma quantia que puder por mês.
Acolhedora: acolhem, sustentam e dão todos os cuidados no decurso do processo.
Prestador de serviço: padrinhos profissionais que beneficiam várias crianças ao mesmo tempo, tais como: Pediatras, dentistas, terapeutas, pedagogos infantis, psicólogos e educadores. 
Fonte: http://www.tjms.jus.br/projetopadrinho/index.html